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Recrutamento de religiosos provoca racha no governo de Israel

Partido centrista deixa o governo por considerar insuficiente a reforma na lei que rege a convocação de ultraortodoxos ao Exército

Recrutamento de religiosos provoca racha no governo de Israel
Recrutamento de religiosos provoca racha no governo de Israel
Crianças do secto ultraortodoxo Eda Haredit, que rejeita a existência de Israel, protestam, na segunda-feira 16, contra a possibilidade de serem convocadas pelo Exército. Foto: Jack Guez / AFP
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Durou pouco mais de dois meses a maior coalizão governista da história de Israel. Nesta terça-feira 17, 70 dias depois de se juntar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Kadima, um partido centrista, abandonou o governo. O rompimento foi causado pelas divergências entre os dois partidos a respeito de modificações na lei de recrutamento para o Exército, um tema bastante sensível em Israel. Com o fim da coalizão, novas eleições podem ser convocadas para janeiro de 2013, nove meses antes do fim do mandato de Netanyahu.

O rompimento foi anunciado por Shaul Mofaz, o líder do Kadima. Segundo ele, “não há escolha” ao partido a não ser deixar o governo diante das divergências entre os dois grupos. Em votação interna, Mofaz foi apoiado por 25 dos 28 parlamentares do Kadima, que agora deixarão a base de apoio a Netanyahu. Nos últimos 70 dias, Netanyahu tinha uma maioria de 94 parlamentares entre os 120 existentes.

As diferenças entre Netanyahu e o Kadima surgiram por conta da necessidade de alterar a chamada Lei Tal. Existente desde a fundação de Israel, a legislação desobriga judeus ultraortodoxos do serviço militar desde que esses estejam realizando estudos religiosos. Neste ano, a Suprema Corte de Israel considerou a lei ilegal e determinou que, a partir de agosto, ela seja substituída por uma regra mais igualitária.

Para o Kadima, as reformas propostas por Netanyahu eram insuficientes. Netanyahu propôs que 50% dos ultraortodoxos com idade entre 18 e 23 anos fossem convocados e que 50% dos religiosos com idade entre 23 e 26 anos fossem recrutados para o serviço civil nacional. Os outros estariam livres do serviço. A proposta, aceita pelos diversos partidos religiosos que apoiam Netanyahu, foi considerada inaceitável pelo Kadima. O partido desejava que, nos próximos quatro anos, pelo menos 80% dos ultraortodoxos fossem convocados. Sem acordo, a coalizão se rompeu.

A convocação de religiosos em Israel é um tema bastante sensível. Para setores seculares, a isenção a esses religiosos é errada pois eles não dividem o fardo de proteger o país ao mesmo tempo em que formam a maioria da população dos assentamentos – montados em terras palestinas e, muitas vezes, motivo de violência. Para a maior parte dos ortodoxos, o estudo religioso substitui o serviço militar, pois é parte fundamental da defesa do Estado. Há também entre os ortodoxos alguns antissionistas, que rejeitam a existência do Estado judeu e, por consequência, consideram o serviço militar não legítimo.

Durou pouco mais de dois meses a maior coalizão governista da história de Israel. Nesta terça-feira 17, 70 dias depois de se juntar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Kadima, um partido centrista, abandonou o governo. O rompimento foi causado pelas divergências entre os dois partidos a respeito de modificações na lei de recrutamento para o Exército, um tema bastante sensível em Israel. Com o fim da coalizão, novas eleições podem ser convocadas para janeiro de 2013, nove meses antes do fim do mandato de Netanyahu.

O rompimento foi anunciado por Shaul Mofaz, o líder do Kadima. Segundo ele, “não há escolha” ao partido a não ser deixar o governo diante das divergências entre os dois grupos. Em votação interna, Mofaz foi apoiado por 25 dos 28 parlamentares do Kadima, que agora deixarão a base de apoio a Netanyahu. Nos últimos 70 dias, Netanyahu tinha uma maioria de 94 parlamentares entre os 120 existentes.

As diferenças entre Netanyahu e o Kadima surgiram por conta da necessidade de alterar a chamada Lei Tal. Existente desde a fundação de Israel, a legislação desobriga judeus ultraortodoxos do serviço militar desde que esses estejam realizando estudos religiosos. Neste ano, a Suprema Corte de Israel considerou a lei ilegal e determinou que, a partir de agosto, ela seja substituída por uma regra mais igualitária.

Para o Kadima, as reformas propostas por Netanyahu eram insuficientes. Netanyahu propôs que 50% dos ultraortodoxos com idade entre 18 e 23 anos fossem convocados e que 50% dos religiosos com idade entre 23 e 26 anos fossem recrutados para o serviço civil nacional. Os outros estariam livres do serviço. A proposta, aceita pelos diversos partidos religiosos que apoiam Netanyahu, foi considerada inaceitável pelo Kadima. O partido desejava que, nos próximos quatro anos, pelo menos 80% dos ultraortodoxos fossem convocados. Sem acordo, a coalizão se rompeu.

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