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Quem é António José Seguro, socialista moderado que venceu a extrema-direita nas eleições em Portugal

Ele sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, na presidência do país

Quem é António José Seguro, socialista moderado que venceu a extrema-direita nas eleições em Portugal
Quem é António José Seguro, socialista moderado que venceu a extrema-direita nas eleições em Portugal
António José Seguro será o novo presidente de Portugal. Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
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O socialista moderado António José Martins Seguro venceu, neste domingo 8, o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal. A disputa foi travada contra André Ventura, líder do partido Chega e representante da ultradireita no país.

Os resultados que tornam Seguro o próximo presidente do país foram divulgados no início da noite, com pouco mais de 99% das urnas apuradas. O filiado ao Partido Socialista recebeu 66,8% dos votos, ante 33,2% do político da extrema-direita. Com isso, Seguro se torna o presidente mais votado da história do país, com mais de 3,5 milhões de votos.

Quem o novo presidente

António José Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor. Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autônoma de Lisboa, e mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, é casado e tem dois filhos.

Foi colunista do semanário Expresso, cujos artigos estão compilados em seu livro Compromissos para o Futuro. Ele também é autor do livro Reforma do Parlamento Português – O controle político do governo.

Seguro foi líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, quando começou a se aproximar da cúpula do círculo do poder.

Sua ascensão se deve em grande parte a António Guterres, o atual secretário-geral da ONU, que em 1992 foi eleito secretário-geral do PS, mantendo o jovem político ao seu lado nos anos seguintes.

Seguro se elegeu deputado nas eleições legislativas de 1991. Com a vitória do PS nas eleições de 1995, ele assume as funções de secretário de Estado da Juventude, cargo do qual sairia para se candidatar, com sucesso, às eleições europeias de 1999, sob a liderança de Mário Soares.

Dois anos depois, em 2001, ele voltaria ao governo português como ministro-adjunto do primeiro-ministro. Pessoas próximas a Seguro afirmam que os dez anos de convivência com Guterres marcaram a sua forma de fazer política.

Em 2011, Seguro se elegeu líder do PS, o que o levou a ocupar o cargo de secretário-geral do partido, função que exerceu até setembro de 2014, após perder as eleições primárias do partido para António Costa, que se tornou primeiro ministro de Portugal (2015-2024) e atualmente preside o Conselho Europeu.

Depois dos vários cargos políticos e partidários, a derrota para Costa o levou a se afastar da vida política e se limitar à condição de “militante de base”. Durante a última década, ele se dedicou às aulas na universidade evitando comentários políticos, com rara exceções.

Só em novembro de 2024 Seguro voltou a sinalizar que concorreria a um novo cargo. A candidatura foi oficializada no ano seguinte.

O discurso pós-vitória

Em seu discurso de vitória, em Caldas da Rainha, cidade onde mora, Seguro foi ovacionado ao reafirmar seu lema: “Sou livre, vivo sem amarras. A minha liberdade é a garantia da minha independência”.

“Essa vitória não é minha. É nossa. É de cada pessoa que acreditou e tem esperança num país melhor, num Portugal moderno e justo, onde todos somos iguais nas nossas necessidades, e diferentes nas nossas liberdades. Um país que avança sem deixar ninguém para trás”, afirmou Seguro.

(Com DW e RFI)

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