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Protesto na embaixada brasileira em Paris denuncia governo Bolsonaro por ‘genocídio’

Intervenções tiveram como motivação as mais de 300 mil mortes por Covid-19 no Brasil e dizeres contra ditadura

(Foto: Liliane Mutti/ Reprodução redes sociais)
(Foto: Liliane Mutti/ Reprodução redes sociais)
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A embaixada do Brasil em Paris foi alvo neste domingo 4 de um novo protesto contra o governo de Jair Bolsonaro. Brasileiros residentes na França colocaram na fachada do prédio faixas com os dizeres, em francês, “Genocide, + de 300 mille morts” e “Dictature plus jamais”.

O protesto em forma de instalação artística foi realizado pelos coletivos Alerta França Brasil/MD18 e Ubuntu Audiovisual. Em comunicado, eles declararam que o ato “expressa a indignação dos brasileiros residentes na França, e dos cidadãos ao redor do mundo, frente às mais de 300 mil mortes pela Covid”.

Além das faixas vermelhas, pintadas de preto com os dizeres “Genocídio, + de 300 mil mortos” e “Ditadura nunca mais”, os ativistas instalaram nas grades das janelas máscaras pintadas de vermelho sangue, “para simbolizar as mais de três mil perdas diárias de vidas nesses últimos tempos, vítimas da necropolítica do governo de extrema direita”. Uma fumaça vermelha, tendo como fundo uma bandeira brasileira de luto fechou o protesto.

Essa foi a terceira instalação artística em forma de protesto em frente da embaixada brasileira de Paris desde o início da pandemia de Covid-19. O artista plástico Julio Villani foi o idealizador da ideia ao instalar, em maio de 2020, vários painéis na fachada da Embaixada do Brasil em Paris, em protesto contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Em 7 de setembro, no mesmo local, vários coletivos de brasileiros residentes na França realizaram um ato parecido.

Inspiração do artista plástico Julio Villani

“Julio Villani nos inspirou a prosseguir nesse caminho da instalação artística como forma de protesto. Foi muito importante, porque devido à pandemia, não podemos mais sair nas ruas em passeata, nem fazer manifestações. Não dá para ficar de braços cruzados. O que fazer diante dessas interdições, face à urgência de continuar denunciando a situação calamitosa no Brasil? A resposta foi unir militância política e arte”, explicou à RFI Marcia Camargos que participou da manifestação deste domingo.

“Escolhemos o domingo de Páscoa justamente por sua simbologia. Trata-se, para muitos, de uma festa religiosa que celebra uma ressurreição, uma espécie de renascimento. E isso vai em sentido oposto ao que está ocorrendo hoje no Brasil, onde as pessoas morrem como bicho à espera de um leito hospitalar, sendo que milhares de famílias não têm nada a festejar. Nem hoje nem amanhã, devido à falta de comando e de um mínimo de respeito pela vida humana, num país acéfalo, dirigido por um negacionista criminoso”, ressaltou a ativista.

Neste domingo a cidade estava vazia e a embaixada do Brasil fechada. O protesto aconteceu pela manhã. Não houve incidentes nem com a polícia francesa, nem com funcionários da embaixada. O ato contou com um número reduzido de participantes “de modo a respeitar as regras do confinamento e não juntar muita gente”. Apenas seis pessoas colocaram as faixas e as máscaras na fachada do prédio, além de uma fotógrafa e videasta que registrou o protesto.

Os coletivos Alerta França Brasil/MD18 e Ubuntu Audiovisual também criaram alguns vídeoartes como “Génocide”, “Écocide”, “Femme Multitude” e “Sans Oxygène”. Os ativistas planejam outras manifestações para continuar denunciando internacionalmente o governo Bolsonaro. “Ainda que do outro lado do Atlântico, sabemos da importância de ajudar a combater esse governo negacionista, unidos aos que resistem à sua necropolítica impiedosa”, diz Marcia Carmargos.

Procurada pela RFI, a embaixada do Brasil informou que não houve danos ao prédio e que as faixas foram retiradas do local por volta das 10h30 da manhã. A representação brasileira na capital francesa preferiu não se pronunciar sobre o protesto.

RFI

RFI Rádio pública francesa que produz conteúdo em 18 línguas, inclusive português. Fundada em 1931, em Paris.

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