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Protesto contra reforma trabalhista na Argentina termina em confronto entre policiais e manifestantes
O protesto ocorre no contexto de uma greve nacional convocada pela central sindical CGT
Policiais e manifestantes entraram em confronto em Buenos Aires, nesta quinta-feira 19, dia de uma greve geral contra a reforma trabalhista promovida pelo presidente Javier Milei, constatou a AFP.
Os incidentes envolveram dezenas de pessoas em uma mobilização nos arredores do Congresso, que havia começado ao meio-dia de forma pacífica e da qual participaram milhares de manifestantes convocados por sindicatos e partidos de esquerda.
A maioria dos manifestantes já havia se retirado do local quando garrafas e pedras foram lançadas contra o cordão policial, situado atrás de grades metálicas que bloqueavam o acesso à sede do Legislativo.
As forças de segurança responderam com canhões com jatos de água e gás lacrimogêneo.
Após os incidentes, relativamente breves, algumas dezenas de manifestantes e fileiras de policiais, entre eles agentes motorizados, permaneciam à distância no final da tarde, em um tenso cara a cara, observou a AFP.
Enquanto isso, a Câmara dos Deputados debatia o projeto de reforma de desregulamentação trabalhista, em uma longa sessão que deve se prolongar até altas horas da noite. A iniciativa já foi aprovada no Senado.
Protesto contra reforma trabalhista na Argentina. Foto: Tomas Cuesta/AFP
Na semana passada, uma manifestação contra a reforma havia desencadeado confrontos muito mais violentos, com pessoas lançando pedras e coquetéis molotov contra os policiais, que responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Cerca de 30 pessoas foram detidas.
O protesto ocorre no contexto de uma greve nacional convocada pela central sindical CGT, que teve uma adesão “muito significativa”, segundo avaliou Jorge Sola, um dos líderes da organização.
A greve, com a adesão crucial do setor de transportes, teve uma participação “de 90%”, de acordo com Sola, que acrescentou que esta é a maior das quatro paralisações promovidas pela CGT no governo Milei.
A reforma trabalhista reduz indenizações, estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve, entre outros pontos polêmicos.
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