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Primeiro-ministro vence eleição na Armênia após guinada ao Ocidente
O partido de Nikol Pashinian recebeu 49,8% dos votos, apesar das ameaças da Rússia
O partido do primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, venceu as eleições legislativas, segundo os primeiros resultados divulgados nesta segunda-feira 8, que consolidam a guinada do país do Cáucaso em direção ao Ocidente, apesar das ameaças da Rússia.
Nos últimos anos, o chefe de Governo tentou reduzir a dependência da ex-república soviética em relação a Moscou, ao mesmo tempo em que intensificou as relações com a União Europeia e os Estados Unidos.
Pashinian celebrou a “vitória histórica” de seu partido, que “garantirá a eternidade e o desenvolvimento da Armênia”.
Ele prometeu prosseguir com a “aproximação com o Ocidente” e, ao mesmo tempo, desenvolver as relações de Yerevan com Moscou.
A Rússia, acusada de interferência na votação, denunciou as “pressões” sobre a oposição e a “interferência” da União Europeia nas eleições.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou na rede social X que a UE estava “ao lado da Armênia”, que, segundo ela, “se aproxima cada vez mais da Europa”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, que visitou Yerevan no mês passado para transmitir uma mensagem veemente pró-Europa, também expressou o desejo de acompanhar a “aproximação” da Armênia da Europa.
O partido de Pashinian, Contrato Civil, recebeu 49,8% dos votos nas eleições deste domingo 7, com ampla vantagem sobre a aliança Armênia Forte, do bilionário russo-armênio Samvel Karapetian (23,3%), informou a Comissão Eleitoral Central.
O Parlamento será completado por outras duas forças de oposição: a aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharian (9,9%), e o partido Armênia Próspera (4%).
A taxa de participação na eleição foi de 59%, informou a comissão.
Samvel Karapetian chamou a eleição de “vergonhosa” e denunciou irregularidades e repressão, alegando que dezenas de membros de sua equipe de campanha foram detidos.
O Comitê de Investigação da Armênia informou que abriu 59 processos penais por supostas violações eleitorais — incluindo voto múltiplo — e anunciou a detenção de nove pessoas.
Ressentimento e ameaças
Oficialmente, Armênia e Rússia, unidas por dois séculos de história em comum dentro do império russo e da União Soviética, continuam aliadas, mas Pashinian se distanciou de Moscou nos últimos anos.
O pequeno país de maioria cristã segue abalado por sua derrota militar para o Azerbaijão em 2020 e pela perda da região de Nagorno-Karabakh em 2023, que provocou o êxodo de dezenas de milhares de armênios deste território montanhoso que é alvo de disputa há várias décadas.
O primeiro-ministro armênio critica a Rússia, que tem forças de manutenção da paz na região, por não ajudar a Armênia e por não evitar a tomada de Nagorno-Karabakh, preocupada em preservar suas relações com o Azerbaijão.
Com o cenário, Pashinian congelou a participação armênia em uma aliança regional liderada por Moscou e buscou reforçar os laços com Bruxelas e Washington, chegando inclusive a mencionar uma possível adesão de seu país à UE.
A Rússia reagiu com irritação diante da possível perda de mais um aliado no que considera sua área de influência.
Em maio, o presidente russo, Vladimir Putin, fez uma ameaça velada: “Todos vemos o que está acontecendo agora com a Ucrânia (…) Como tudo começou? Com a tentativa da Ucrânia de aderir à UE”.
Na véspera das eleições, surgiram acusações de que o Kremlin tentou influenciar a votação.
Além disso, nas semanas que antecederam a votação, a Rússia proibiu a importação de vários produtos da Armênia, medida interpretada como uma tentativa de exercer pressão econômica sobre o país.
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