Mundo
Primeiro-ministro de Portugal renuncia ao cargo após operação policial
O cargo foi entregue ao presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Com a renúncia, haverá dissolução do parlamento e convocação a novas eleições
Nas primeiras horas de uma terça que prometia ser como outra qualquer, as águas do Tejo foram subitamente agitadas por uma onda de diligências judiciais que invadiu a casa e transformou o destino político de António Costa, premiê de Portugal.
A polícia de Portugal realizou, nesta terça-feira 7, uma operação de busca e apreensão na casa do socialista. Outros 42 mandados foram cumpridos na operação na sede de ministérios e em empresas investigadas.
Foram detidos Diogo Lacerda Machado, chefe de gabinete de Costa, e o presidente da Câmara da cidade de Sines, Nuno Mascarenhas. As acusações envolvem um possível favorecimento em iniciativas de energia renovável.
As medidas foram autorizadas pela Justiça em uma investigação do Ministério Público português que apura um suposto esquema irregular de exploração de lítio e de venda de hidrogênio verde.
Segundo os investigadores, o primeiro-ministro teria interferido para desbloquear procedimentos relacionados à exploração do minério. Outras suspeitas envolvem o favorecimento de consórcios em projeto que prevê a produção de energia a partir do hidrogênio.
Além do premiê, o ministro de Infraestrutura de Portugal, João Galamba, também é um dos investigados no caso. Em linhas gerais, as suspeitas envolvem corrupção ativa e passiva, tráfico de influências e prevaricação.
As suspeitas e a operação de devassa levaram Costa e renunciar. O cargo foi entregue ao presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Com a renúncia, será convocado o Conselho de Estado, dissolução do parlamento e convocação a novas eleições.
António Costa chegou ao poder em 2015 graças a uma aliança dos socialistas com a esquerda radical, a chamada ‘geringonça’. Junto a seus aliados, prometeu – e conseguiu – virar a página da austeridade no país, onde o desemprego atingiu um pico de 17% em 2013. Também aumentou os salários dos serviços públicos e aposentadorias, que haviam sofrido fortes cortes durante a crise.
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