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Presidente do Equador nomeia novo ministro da Economia após protestos indígenas

Manifestantes apresentaram uma série de demandas, como a redução nos preços de combustíveis em 21%

Foto: Bolivar PARRA / Ecuadorian Presidency / AFP
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O presidente do Equador, Guillermo Lasso, nomeou o empresário Pablo Arosemena como novo ministro da Economia nesta terça-feira 5 após os protestos indígenas que levaram o mandatário a se comprometer com indenizações que exigirão mais de US$ 700 milhões por ano.

Arosemena, que ocupava o cargo de governador (representante de Lasso) na província costeira de Guayas, substitui Simón Cueva, que renunciou junto com outros três ministros.

Os responsáveis da Saúde, Ximena Garzón, dos Transportes e Obras Públicas, Marcelo Cabrera, e do Ensino Superior, Alejandro Ribadeneira, também renunciaram.

Um porta-voz do Ministério da Economia disse à AFP que a saída de Cueva se deve à sua “própria decisão”, tomada há “alguns meses”.

Arosemena “será responsável por liderar a reativação econômica de todo o país que se traduz na geração de fontes de emprego e na melhoria da qualidade de vida da população, especialmente dos mais necessitados”, disse o ministério em comunicado.

Lasso, ex-banqueiro de direita que assumiu o cargo há 13 meses, enfrentou um protesto recente da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), que participou de revoltas que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005.

“Nada mais absurdo”

Na cerimônia de posse, na sede do governo, o presidente confirmou que os 18 dias de manifestações resultaram em perdas de cerca de 1 bilhão de dólares, incluindo 260 milhões devido à queda na produção de petróleo.

Lasso expressou: “Nada mais absurdo do que, por um lado, pedir recursos, assistência social justa, mas ao mesmo tempo atacar a fonte de renda para atender a essas demandas”, aludindo à paralisação de poços e dutos devido à protestos.

Com o bloqueio de estradas federais e marchas em várias cidades, incluindo Quito, os indígenas apresentaram uma série de demandas, como a redução nos preços de combustíveis em 21%.

As manifestações, que deixaram seis mortos e mais de 600 feridos, foram encerradas após a assinatura, na última quinta-feira, de uma “ata de paz” na qual o Executivo se comprometeu a reduzir em até 8% os preços dos combustíveis mais utilizados no país.

Com essa redução, que entrou em vigor na sexta-feira, o galão do diesel passou de 1,90 a 1,75 dólares e o de gasolina de 2,55 a 2,40 dólares.

Mudança na polícia

Lasso também empossou María Aguilera no Ministério da Habitação ao transferir o titular da pasta, Darío Herrera, para o Ministério do Transporte e Obras Públicas. Andrea Montalvo assumiu a Secretaria de Educação Superior.

O chefe de Estado ainda não nomeou o novo ministro da Saúde.

Lasso pretende empossar nesta quarta-feira a nova chefia policial, segundo a Secretaria de Comunicação da presidência.

Em meio a uma crise econômica causada por períodos de baixas no preço do petróleo – principal produto de exportação – e agravada pela pandemia de covid-19, o governo conservador aprovou outras compensações para agricultores e desfavorecidos que lhe custarão 700 milhões de dólares por ano.

As medidas incluem um aumento de um bônus de assistência aos mais pobres, subsídios para insumos agrícolas e o perdão de dívidas com entidades públicas de até 3.000 dólares.

Entre os compromissos, a administração de Lasso também deverá definir a canalização de mais subsídios para combustíveis do setor rural. As negociações sobre este e outros temas começarão na próxima quinta-feira.

A produção do Equador foi 520.000 barris por dia (bd) em 12 de junho, véspera do início dos protestos, que paralisaram mais de 1.000 poços na Amazônia. Durante quase três semanas de manifestações, a produção caiu a menos da metade.

Na segunda-feira, a produção de petróleo bruto – o principal produto de exportação – se recuperou para cerca de 475,7 mil bpd.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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