Presidente da Colômbia envia exército a Cali após 1 mês de protestos

Pelo menos 13 pessoas morreram durante as manifestações na cidade

Povo colombiano protesta contra autoritarismo do governo Iván Duque. Foto: Juan Barreto/AFP

Povo colombiano protesta contra autoritarismo do governo Iván Duque. Foto: Juan Barreto/AFP

Mundo

O presidente da Colômbia, Iván Duque, determinou na última sexta-feira, 28, a mobilização de tropas militares em Cali depois dos protestos que deixaram ao menos 13 mortos durante o dia em que se lembrou um mês de uma convulsão social inédita no país.

“A partir desta noite começa a mobilização máxima de assistência militar à polícia nacional na cidade de Cali”, anunciou o presidente após chefiar um conselho de segurança nesta cidade de 2,2 milhões de habitantes, onde um toque de recolher noturno entrou em vigor.

Pelo menos 13 pessoas morreram nas manifestações em Cali, incluindo um investigador da promotoria que disparou contra uma concentração “causando a morte de alguns civis”, segundo a instituição. O homem, que estava de folga, foi pego em um bloqueio e acabou linchado pelos manifestantes.

“Essa mobilização quase triplicará nossa capacidade em 24 horas”, disse o presidente.

Em um mês de levante popular, foram registradas 49 mortes, segundo a contagem oficial. A promotoria estabeleceu que pelo menos 17 dos casos estão diretamente relacionados com as manifestações, mas a ONG Human Rights Watch afirma ter “denúncias credíveis” sobre 63 mortes, 28 relacionadas com a crise.

Mais impostos

A eclosão começou quando o governo quis impor mais impostos à classe média, atingida pela pandemia, para preencher a lacuna fiscal deixada pela crise econômica e sanitária.

Duque desistiu da proposta, mas a repressão policial aumentou os ânimos. Atualmente as ruas estão cheias de jovens sem trabalho e sem educação que pedem um Estado mais solidário diante da devastação causada pela Covid-19.

Cali foi o epicentro das manifestações. Os bloqueios que atingem esta e outras cidades dividem o governo e as principais lideranças do protesto, que conversam há duas semanas sem chegar a um acordo.

Representantes do governo exigem a suspensão dos bloqueios, enquanto a chamada Comissão Nacional de Greve defende os “pontos de resistência” como forma de protesto e pede ao presidente que peça desculpa pelos excessos das forças de segurança.

Em meio às tensões, a comissão convocou uma manifestação na sexta-feira para celebrar o primeiro mês de protestos no país.

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