Premiê israelense viu risco de Bolsonaro ser julgado por genocídio em Tribunal Internacional

Benjamin Netanyahu fez declaração em reunião e disse que estaria disposto a trocar apoio com Bolsonaro, aponta documento

(Foto: Alan Santos/PR)

(Foto: Alan Santos/PR)

Mundo,Política

Em documento enviado ao Itamaraty em maio de 2020, o então embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, via chances do presidente Jair Bolsonaro ser investigado por “genocídio de povos indígenas” no Tribunal Penal Internacional de Haia.

O documento foi obtido pela TV Globo no sábado 12 e consta entre os ofícios enviados à CPI da Covid, que investiga omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia.

Paulo Cesar afirma que, em uma reunião de dezembro de 2019 entre uma “autoridade política brasileira” e o primeiro-ministro, Netanyahu havia explicitado seu desejo de contar com o apoio do Brasil em relação a processos contra o israelense que também correm em Haia.

Em seguida, o documento afirma que o apoio seria mútuo “uma vez que há risco real de que o presidente Bolsonaro venha a ser investigado naquele Tribunal por genocídio de povos indígenas”. O primeiro-ministro também citou o apoio de Israel ao País na primeira crise de imagem do Brasil devido às queimadas na Amazônia em 2019.

“Parece-me seguro afirmar que pelo menos parte das autoridades locais, inclusive o primeiro-ministro acreditam que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado internacionalmente no futuro por omissão na proteção da Amazônia e até mesmo por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas”, escreveu o ex-embaixador na carta endereçada ao Ministério das Relações Exteriores, aponta a Globo.

Em dezembro de 2020, o Tribunal Penal Internacional de Haia começou a investigar os procedentes de uma denúncia, feita por organizações indígenas em novembro de 2019, que acusa Bolsonaro do crime de genocídio. A situação foi inédita: A apuração sobre a jurisprudência dos fatos, que nunca ocorreu em relação a um presidente brasileiro, vem antes de um possível inquérito oficial.

O Itamaraty não se pronunciou sobre o caso.

Netanyahu na berlinda

Israel inicia, neste domingo 13, uma nova etapa de sua história com uma votação no Parlamento para ratificar uma “coalizão de mudança” formada por rivais ideológicos unidos para tirar Benjamin Netanyahu do poder.

A Knesset se reúne em sessão especial a partir das 16h00 (10h00 de Brasília) para que o centrista e líder da oposição Yair Lapid e o chefe da direita radical Naftali Bennett apresentem sua equipe, que será colocada em votação, entre 18h30 e 20h00.

A menos que haja uma mudança de última hora,  a equipe terá a aprovação dos deputados, que desta forma tirarão Netanyahu, chefe do governo por 12 anos interruptos, do poder.

*Com informações da AFP

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