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Prefeita de pequena cidade dos EUA renuncia após acusação de ser agente da China

Eileen Wang assinou um acordo depois de assumir ter publicado conteúdos favoráveis ao governo chinês em site dedicado à comunidade sino-norte-americana

Prefeita de pequena cidade dos EUA renuncia após acusação de ser agente da China
Prefeita de pequena cidade dos EUA renuncia após acusação de ser agente da China
Eileen Wang, agora ex-prefeita de Arcádia, nos EUA, em foto de 2023 – foto: Frazer Harrison/Getty Images/AFP
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A prefeita da pequena cidade norte-americana de Arcadia, no estado da Califórnia, renunciou ao cargo depois de acusação de ser uma agente ilegal da China nos Estados Unidos. Agora ex-prefeita, Eileen Wang se declarou culpada e assinou um acordo visando reduzir o tempo de prisão – que pode chegar a até dez anos.

Wang integra, desde 2022, o Conselho Municipal da cidade de Arcadia (que tem pouco mais de 50 mil habitantes). Os cinco integrantes do colegiado se revezam no cargo de prefeito. Ela ocupava a principal cadeira desde fevereiro deste ano.

A renúncia aconteceu na segunda-feira 11 de maio, um dia antes do embarque do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. A viagem acontece nesta terça-feira 12, e ele deve se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, na quarta.

O Departamento de Justiça (equivalente ao Ministério da Justiça) dos EUA afirma que Wang confessou ter atuado sob a direção de funcionários do governo chinês para promover os interesses do país asiático. Um homem que teria atuado junto à agora ex-prefeita está preso desde outubro de 2025 sob a mesma acusação, e deve cumprir pena de quatro anos.

As investigações apontam que Wang e o homem agora preso trabalharam juntos na operação do US News Center, um site que se oferecia como fonte de notícias para a comunidade sino-norte-americana. Eles teriam recebido orientações do governo chinês para publicar conteúdo pró-China.

Foram interceptadas mensagens trocadas por aplicativo com textos para publicação na página. Um deles, que foi publicado, negava a repressão à minoria muçulmana uigur na província chinesa de Xinjiang, um assunto considerado extremamente sensível. “Espalhar esse boato tem o objetivo de difamar a China, destruir a segurança e a estabilidade de Xinjiang, enfraquecer a economia local e suprimir o desenvolvimento da China”, afirmava a publicação.

Também foi identificada comunicação de Wang com John Chen, apontado como membro de alto escalão do serviço de inteligência da China, que chegou a se encontrar pessoalmente com o presidente do país asiático, Xi Jinping. Chen foi condenado a 20 meses de prisão nos EUA por atuação como agente ilegal do governo chinês.

“Indivíduos eleitos para cargos públicos nos Estados Unidos devem agir somente em nome do povo americano que representam.  É profundamente preocupante que alguém que anteriormente recebeu e executou ordens de funcionários do governo da República Popular da China ocupe agora uma posição de confiança pública, especialmente porque essa relação com o governo estrangeiro nunca foi divulgada”, afirmou o Procurador-Geral Adjunto para Segurança Nacional dos EUA, John A. Eisenberg.

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