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Portugueses votam para presidente em 2° turno histórico

Após campanha afetada por inundações, urnas abriram para 11 milhões de eleitores. Socialista António José Seguro é favorito contra líder da ultradireita André Ventura

Portugueses votam para presidente em 2° turno histórico
Portugueses votam para presidente em 2° turno histórico
O socialista moderado António José Seguro disputa o 2º turno da eleição no país europeu contra André Ventura, o líder da extrema-direita local. Fotos: PATRICIA DE MELO MOREIRA e FILIPE AMORIM / AFP
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Os portugueses começaram a votar neste domingo 8 no segundo turno das eleições presidenciais, que coloca o socialista moderado António José Seguro, claro favorito, contra o líder da ultradireita André Ventura na corrida para suceder o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, que, após dois mandatos de cinco anos, não pode concorrer a um terceiro mandato. Esta é a primeira vez em 40 anos que o país realiza um segundo turno para eleger seu chefe de Estado.

Após uma campanha severamente afetada pelas tempestades e inundações que atingiram o país nas últimas duas semanas, as urnas abriram às 8h para 11 milhões de eleitores em Portugal e no estrangeiro e fecharão às 19h (15h em Brasília). As primeiras projeções das sondagens à boca das urnas serão divulgadas uma hora depois.

Sondagens preveem vitória para Seguro

As sondagens preliminares indicam que Seguro, que ficou em primeiro lugar seguido de Ventura no primeiro turno das eleições, realizado a 18 de janeiro, sairá vitorioso neste segundo turno com uma vantagem confortável.

Ventura, líder do partido Chega – atualmente a maior sigla de oposição no parlamento – obteve 23,5% dos votos, enquanto Seguro, do Partido Socialista (PS), surpreendeu ao conseguir 31% dos votos.

Nas cinco décadas desde que Portugal encerrou sua ditadura, em 1974, uma eleição presidencial havia exigido segundo turno apenas uma vez, em 1986. O resultado revela como o cenário político se tornou fragmentado com a ascensão da ultradireita e o descontentamento dos eleitores com os partidos tradicionais do país.

Em Portugal, a presidência é um cargo em grande parte cerimonial, mas exerce alguns poderes importantes, incluindo a dissolução do parlamento, a convocação de eleições legislativas antecipadas e o veto a leis.

Campanha marcada por tempestades

Não poderão votar neste domingo 36.852 eleitores em várias cidades. As eleições foram adiadas por uma semana, até 15 de fevereiro, devido às tempestades que atingiram o país nas últimas duas semanas. Entre as cidades afetadas estão Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, que sofreram graves inundações. A votação também foi adiada em algumas seções eleitorais de Santarém, Rio Maior, Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos.

Espera-se uma melhora no tempo neste domingo, após a passagem da tempestade Marta pelo país, que deixou um bombeiro morto no sábado. No entanto, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva, principalmente a partir da tarde, neve nas áreas mais altas e fortes rajadas de vento no litoral e em outras regiões de altitude.

Normalidade durante a manhã

O Jornal de Notícias reporta que as eleições estão decorrendo com normalidade na manhã deste domingo, “sem que haja informação de problemas” além do adiamento já determinado para algumas regiões devido ao mau tempo.

“Até ao momento, não tivemos informação de quaisquer problemas ou boicotes”, afirmou, acrescentando que a última alteração ao que estava previsto foi a decisão, conhecida no sábado à noite, da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos (Santarém) de adiar a votação nas secções de voto da freguesia de Salvaterra de Magos. A decisão deveu-se ao isolamento da povoação do Escaroupim, devido às cheias no rio Tejo.

A campanha eleitoral tem sido marcada pelas tempestades dos últimos dias, que desde 28 de janeiro causaram um total de sete óbitos e seis mortes indiretas de pessoas que caíram de telhados durante obras de reparação.

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