Polícia russa prende mais de 4.400 pessoas em protestos pró-Navalny

Manifestações em todo o país exigem a libertação do opositor Alexei Navalny

(Foto: Olga MALTSEVA / AFP)

(Foto: Olga MALTSEVA / AFP)

Mundo

A polícia russa prendeu, neste domingo 31, mais de 4.400 pessoas e fechou o acesso ao centro de Moscou durante novas manifestações em todo o país para exigir a libertação do opositor Alexei Navalny.

Milhares de pessoas ignoraram as advertências do governo e tomaram as ruas de várias cidades russas, de Vladivostok a São Petersburgo, no segundo fim de semana de protestos contra a prisão do principal opositor do presidente Vladimir Putin.

Pelo menos 4.407 pessoas foram presas em todo o país, incluindo 1.365 em Moscou, segundo o último relatório divulgado pela ONG OVD-Info, especializada no monitoramento das manifestações.

Em outras metrópoles russas, como São Petersburgo, Krasnoyarsk (Sibéria) e Vladivostok (Extremo Oriente), também ocorreram centenas de prisões, segundo a mesma fonte.

A esposa de Navalny, Yulia Navalnaya, foi presa a caminho de uma manifestação, relataram vários meios de comunicação da oposição.

Essas manifestações seguem um primeiro dia de mobilização, no sábado da semana passada, que reuniu dezenas de milhares de manifestantes e resultou em mais de 4.000 prisões, além da abertura de cerca de vinte processos.

Nos centros de Moscou e São Petersburgo, muitos policiais e agentes da Guarda Nacional foram mobilizados.

“Putin é um ladrão!”, “Liberdade!”, gritavam dezenas de manifestantes ao passarem pelo centro da capital russa, tendo o local da reunião sido alterado no último minuto devido às restrições da polícia, que limitou o acesso a várias ruas no centro e fechou estações de metrô, uma decisão rara.

No Twitter, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, criticou a repressão às manifestações por meio do “uso persistente de táticas brutais” e instou a “libertar aqueles que foram presos, incluindo Alexei Navalny”.

O ministério das Relações Exteriores russo foi rápido em denunciar essas acusações como “interferência grosseira nos assuntos internos” da Rússia.

Mais tarde, o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, denunciou em um tuíte “as prisões em massa” e o “uso desproporcional da força” contra manifestantes e jornalistas, e afirmou que “a Rússia precisa cumprir seus compromissos internacionais.”

 

“Putin é mau”

Coberto por uma fina camada de neve, o centro de Moscou parecia em algumas áreas uma fortaleza, cercada por uma forte força policial de choque. Várias estações de metrô também foram fechadas.

Jornalistas da AFP viram dezenas de manifestantes sendo detidos e levados por veículos da polícia.

Apesar das ameaças, Ekatarina Britshkina, 39 anos, não hesitou em protestar na capital russa e garantiu à AFP que estava “com mais medo do que aconteceria no país se ela não saísse às ruas”.

No final da tarde, os manifestantes de Moscou voltaram para casa, alguns deles se perguntando se o protesto traria resultados. “É verdade que nos perguntamos se esses protestos farão algum bem”, disse Nadia, uma estudante de 21 anos. “Vai demorar ainda mais até que Navalny esteja livre. E ainda mais tempo antes que a Rússia seja livre”, acrescentou.

Em São Petersburgo, a segunda maior cidade do país, quase 2.000 pessoas que se reuniram em uma praça no centro da cidade foram dispersas pela tropa de choque.

“Putin é mau. Não há futuro com ele, é impossível viver com esse salário e tão pouco trabalho”, reclamou Andrei, um manifestante de 30 anos.

Também houve passeatas em cidades como Vladivostok, onde dezenas de manifestantes fugiram da polícia pelas águas geladas da Baía de Amur.

E milhares de pessoas enfrentaram temperaturas de até -20°C em Novosibirsk, na Sibéria, para exigir a libertação do opositor.

 

“Raiva”

Nos dias anteriores, as autoridades alertaram os apoiadores de Navalny. A polícia disse que os manifestantes poderiam ser processados por “tumultos em massa” se os comícios se tornassem violentos.

A justiça russa impôs prisão domiciliar na sexta-feira à maioria dos aliados próximos de Navalny, incluindo seu irmão Oleg e a opositora Liubov Sóbol, dois dias após uma série de buscas à casa de sua esposa e as instalações de sua organização, Fundo de Luta contra a Corrupção, entre outras.

A apresentação do líder da oposição aos juízes está marcada para a próxima semana. Navalny tem sido alvo de vários processos judiciais desde seu retorno à Rússia em 17 de janeiro, que ele acredita serem politicamente motivados.

Os protestos também são alimentados pela divulgação de uma investigação do opositor acusando o presidente Vladimir Putin de se beneficiar de um enorme “palácio” nas margens do Mar Negro, uma investigação vista mais de 100 milhões de vezes no YouTube.

O ativista anticorrupção e inimigo jurado do Kremlin, Alexei Navalny, de 44 anos, voltou à Rússia em 17 de janeiro após meses de convalescença na Alemanha por suspeita de envenenamento, pelo qual acusa Vladimir Putin e os serviços de segurança russos.

 

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