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Polícia britânica prende o ex-príncipe Andrew, citado no caso Epstein

O irmão do rei Charles III teria repassado dados potencialmente confidenciais ao criminoso sexual

Polícia britânica prende o ex-príncipe Andrew, citado no caso Epstein
Polícia britânica prende o ex-príncipe Andrew, citado no caso Epstein
O ex-príncipe Andrew, fotografado em 25 de dezembro de 2023 – foto: Adrian Dennis/AFP
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A polícia inglesa prendeu o ex-príncipe Andrew nesta quinta-feira 19, dia do seu 66º aniversário, por “suspeita de má conduta no exercício de um cargo público” durante o período em que atuou como enviado comercial, uma acusação relacionada ao caso Epstein.

A polícia de Thames Valley, onde fica a residência Royal Lodge, imóvel em que Andrew morou até recentemente, confirmou em um comunicado a detenção, que havia sido antecipada pela imprensa britânica.

Imagens publicadas pela imprensa britânica mostraram uma frota de carros sem identificação, provavelmente veículos policiais, chegando na manhã de quinta-feira à propriedade de Sandringham do rei Charles III, no leste da Inglaterra, para onde Andrew se mudou no início de fevereiro.

“Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta no exercício de um cargo público”, afirmou a polícia em um comunicado, que não revela o nome do suspeito, como é habitual no Reino Unido.

O comunicado da polícia informa que operações de busca estavam em curso em dois endereços na Inglaterra, aparentemente relacionadas com as acusações.

Perda dos títulos reais

No ano passado, Charles retirou os títulos do irmão e ordenou que ele deixasse sua mansão na propriedade de Windsor, embora Andrew continue sendo o oitavo na linha de sucessão ao trono britânico.

A polícia informou que as operações de busca estavam em curso em dois imóveis e que “o homem permanece sob custódia policial neste momento”.

A má conduta no exercício de um cargo público pode resultar em uma pena máxima de prisão perpétua, segundo o Crown Prosecution Service (Ministério Público da Coroa).

No dia 11 de fevereiro, novos documentos vieram à tona e parecem indicar que o irmão do rei Charles III repassou informações confidenciais a Jeffrey Epstein. O Ministério Público informou que está “em contato” com a polícia sobre as suspeitas.

O ex-príncipe, hoje afastado da vida pública, era então representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, cargo que ocupou entre 2001 e 2011.

Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão.

O e-mail é mais um dos documentos, também incluídos nos arquivos Epstein, que sugerem que, em 2010, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Singapura e Vietnã.

A polícia regional de Windsor indicou que está “examinando as informações” sobre Andrew Moutbatten-Windsor, como ele deve ser chamado desde que foi despojado de seus cargos aristocráticos.

Primeiras denúncias

Os documentos se somam às acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-príncipe por Virginia Giuffre, vítima de Epstein que cometeu suicídio em 2025.

Uma segunda mulher afirmou posteriormente, por meio de seu advogado, que Epstein a enviou à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com o filho da rainha Elizabeth II.

Outro advogado americano revelou que uma de suas clientes relatou que Epstein e o ex-príncipe a obrigaram a manter relações sexuais durante uma festa na Flórida em 2006.

O Ministério Público também está em contato com a polícia de Londres na investigação aberta sobre Peter Mandelson, ex-embaixador britânico em Washington, suspeito de ter repassado documentos confidenciais a Epstein.

A polícia de Surrey, no sudeste da Inglaterra, informou na quarta-feira que tomou conhecimento de um relatório com trechos censurados que alegava “tráfico de pessoas e agressões sexuais contra um menor” entre 1994 e 1996 na localidade de Virginia Water.

O relatório apareceu no último lote de milhões de arquivos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, procedentes da investigação sobre Epstein, que morreu na prisão em 2019.

“Após revisarmos nossos sistemas com as informações limitadas de que dispomos, não encontramos evidências de que as acusações tenham sido denunciadas à polícia de Surrey”, afirmou o comunicado.

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