Peru: parciais colocam Fujimori à frente de Castillo

Em pesquisa de boca de urna da Ipsos, a direitista obteve 50,3% dos votos contra 49,7% do candidato de esquerda

Pedro Castillo e Keiko Fujimori se confrontaram em 2º turno da eleição peruana. Foto: Sebastian Castaneda/Pool/AFP

Pedro Castillo e Keiko Fujimori se confrontaram em 2º turno da eleição peruana. Foto: Sebastian Castaneda/Pool/AFP

Mundo

A candidata de direita Keiko Fujimori lidera o primeiro resultado parcial oficial da eleição presidencial de domingo 6 no Peru com 52,9% dos votos contra 47,09% de seu rival da esquerda radical Pedro Castillo.

A contagem é relativa a 42% das 86.488 assembleias de voto, afirmou o chefe do ONPE (Oficina Nacional de Processos Eleitorais), Piero Corvetto.

Em pesquisa de boca de urna da Ipsos no fechamento dos centros de votação, Keiko Fujimori obteve 50,3% dos votos contra 49,7% para Pedro Castillo.

Com mensagens de unidade, a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo prometeram respeitar qualquer que seja o resultado deste domingo de uma das eleições presidenciais mais disputadas da história do Peru, em um país devastado pela pandemia e por uma crise política feroz.

Com projetos antagônicos, o professor rural e a filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori chegaram empatados nas pesquisas, após uma campanha marcada pela incerteza e pela exacerbação de temores, que elevou a cotação do dólar na sexta-feira a um recorde de 3,9 soles.

 

Castillo votou no interior

No domingo, Castillo participou de um café da manhã familiar no pátio coberto de sua casa no vilarejo de Chugur, no norte da região de Cajamarca, e foi votar ao meio-dia na cidade vizinha de Tacabamba, seguido pelas ruas por centenas de apoiadores.

“Tomei uma decisão, não estarei em Lima pela saúde de meus pais”, anunciou o candidato após votar na escola Simón Herrera, cancelando seu plano de viajar à capital para aguardar os resultados.

“Vamos ser respeitosos assim que houver um resultado oficial” da contagem de votos, afirmou o candidato de 51 anos, vestido com paletó marrom e chapéu branco, típico dos camponeses de Cajamarca.

A adversária Keiko Fujimoi, que participou de um café da manhã em família na encosta de uma colina de um bairro pobre do bairro de San Juan de Lurigancho, em Lima, também afirmou que reconhecerá o resultado da votação, algo que não fez em 2016, quando perdeu para o banqueiro Pedro Pablo Kuczynski.

“A partir de agora, posso dizer que seja qual for o resultado, respeitarei a vontade popular, como deve ser”, prometeu a candidata de 46 anos, que disputa pela terceira vez a possibilidade de se tornar a primeira presidente mulher do Peru.

Fujimori, que votou à tarde no distrito de Surco, em Lima, parabenizou “os avós e avôs” por terem ido votar. “Eles fazem isso com seus filhos e netos em mente”, disse ela.

Os mais de 11.000 centros de votação ficaram abertos até as 19h00 locais (21h00 de Brasília), após receber por 12 horas os votos de 25 milhões de cidadãos, de acordo com o gabinete eleitoral nacional.

 

Peru deve manter perfil conservador

Vença quem vencer, o Peru continuará mantendo um perfil conservador com a rejeição de ambos os candidatos ao aborto, ao casamento homossexual e à identidade de gênero.

Ambos os candidatos passaram as últimas horas com suas famílias. Na quinta-feira, encerraram suas campanhas em Lima em comícios com centenas de partidários aglomerados, apesar do agravamento da pandemia no Peru, que esta semana teve a maior taxa de mortalidade do mundo por covid-19 e acumula quase dois milhões de contaminações e mais de 180.000 mortes.

Castillo concentra o apoio nas áreas rurais do “Peru profundo”, como sua nativa Cajamarca, mas há peruanos temerosos de que o país se transforme em uma nova Venezuela que votarão em Fujimori por enxergá-la como “o mal menor”.

“Não quero nem votar, para mim os dois não merecem o voto, mas estou em pânico com Castillo, então voto em Keiko”, disse Johnny Samaniego, de 51 anos, de Lima.

Grandes obstáculos pela frente

Quem vencer terá um grande desafio, pois terá de tomar medidas urgentes para superar a pandemia, a recessão econômica e a instabilidade política, lidar com um Congresso fragmentado, corrupção e má gestão pública.

Se Fujimori vencer, “não será uma tarefa fácil, dada a desconfiança que seu nome e o de sua família geram em amplos setores. Ela terá que acalmar rapidamente os mercados e gerar medidas que permitam sua reativação”, analisou a cientista política Jessica Smith à AFP.

E se Castillo vencer, ele deve “mostrar liderança independente” de seus líderes partidários e “consolidar uma maioria parlamentar que lhe permitirá levar a cabo seu ambicioso programa”, acrescentou.

Entretanto, o analista Luis Pásara afirmou à AFP que “vai demorar algum tempo até a situação se acalmar, porque a polarização é forte e existe um ambiente de conflito social”.

Cerca de 160.000 soldados e policiais foram enviados para garantir a segurança do processo eleitoral.

O Peru viu quatro presidentes assumirem o poder desde 2018, três em apenas cinco dias em novembro de 2020.

No domingo, um milhão de peruanos residentes em 75 países também votaram, incluindo 140.000 na Venezuela, Chile, Paraguai e Aruba que não puderam fazê-lo no primeiro turno devido a restrições impostas pela pandemia.

O novo presidente tomará posse em 28 de julho, dia em que o Peru comemora o bicentenário de sua independência, substituindo o presidente interino de centro Francisco Sagasti, que pediu a seus compatriotas “que respeitem escrupulosamente a vontade expressa nas urnas”.

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