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Pentágono investiga ataques contra supostas narcolanchas
As operações do Exército dos Estados Unidos mataram pelo menos 192 pessoas, segundo a imprensa americana
O órgão de controle independente do Pentágono está investigando a legalidade das operações do Exército dos Estados Unidos contra supostas narcolanchas, que mataram pelo menos 192 pessoas, informa a imprensa americana.
O governo do presidente Donald Trump começou a atacar embarcações no Caribe e no leste do Oceano Pacífico em setembro do ano passado, insistindo que o país está, na prática, em guerra com o que denomina de “narcoterroristas” que operam a partir da América Latina.
Mas especialistas em direito e grupos de defesa dos direitos humanos sugerem que os ataques podem constituir execuções extrajudiciais, já que aparentemente tiveram como alvo civis que não representam uma ameaça imediata aos Estados Unidos.
O governo Trump não apresentou evidências conclusivas de que as embarcações atacadas no âmbito da operação “Southern Spear” estejam envolvidas com o narcotráfico.
A reação contra a operação representa um revés para o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que em março afirmou, durante uma conferência com presença de autoridades latino-americanas, que a campanha para caçar as supostas lanchas de drogas havia sido tão bem-sucedida que era difícil encontrar alvos.
“O escopo da avaliação inclui o processo conjunto de seleção de embarcações na área de responsabilidade do Comando Sul dos Estados Unidos como parte da Operação Southern Spear”, afirmou o gabinete do inspetor-geral independente do Pentágono em um comunicado citado pela agência Bloomberg.
A investigação pretende determinar se o Pentágono seguiu o Ciclo Conjunto de Seleção de Alvos – que estabelece seis etapas essenciais para uma operação militar – ao executar os ataques, indicou a agência em um memorando de 11 de maio.
“Faremos uma avaliação no Pentágono e na sede do USSOUTHCOM”, na Flórida, acrescentou o gabinete, em referência ao Comando Sul.
Os ataques marcaram uma mudança drástica na abordagem dos Estados Unidos em relação ao narcotráfico, que historicamente se concentrou em interceptar embarcações e apreender a mercadoria.
Washington mobilizou uma importante força naval no Caribe, onde suas forças apreenderam petroleiros e executaram uma operação na capital venezuelana em janeiro para capturar o presidente Nicolás Maduro.
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