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Partido de López Obrador conquista vitória histórica no estado mais populoso do México

A votação é considerada por analistas como um ensaio geral para a disputa presidencial em 2024

Partido de López Obrador conquista vitória histórica no estado mais populoso do México
Partido de López Obrador conquista vitória histórica no estado mais populoso do México
Foto: Mexican Presidency / AFP
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O partido do presidente Andrés Manuel López Obrador confirmou no domingo (4) que é nova legenda dominante da política mexicana após o triunfo eleitoral no populoso Estado do México, de acordo com os resultados preliminares, arrebatando um reduto histórico do outro hegemônico PRI.

De acordo com a tendência apontada após 88,1% da apuração rápida do Instituto Nacional Eleitoral (INE), a candidata a governadora do partido governista Morena (Movimento Regeneração Nacional), Delfina Gómez, tinha nove pontos de vantagem sobre a rival do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Alejandra del Moral.

Após a divulgação dos números, Del Moral admitiu a derrota. “Reconheço o triunfo da professora Delfina Gómez”, declarou em sua sede de campanha.

O partido Morena, que já governa sozinho ou em aliança 22 dos 32 estados mexicanos, consolida com o resultado sua liderança para as eleições presidenciais de 2024.

E também retira do outrora hegemônico PRI seu maior reduto eleitoral, que o partido governou de maneira ininterrupta por 94 anos, desde 1929.

O PRI governou o México e todos os estados do país durante sete décadas do século XX.

“Novo PRI”

Para o cientista político Miguel Tovar, da consultoria Alterpraxis, com a vitória o partido Morena alcança o “sonho” de López Obrador e vira o novo partido hegemônico do México.

“O que vemos no Morena é esta necessidade de ter o poder hegemônico, de ocupar todos e cada um dos espaços (…) O Morena, que é o novo PRI, cresceu como espuma”, disse à AFP.

Delfina Gómez se declarou “superorgulhosa” de todos os eleitores, pois “eles tornaram o triunfo possível.

A eleição no Estado de México, com 12,6 milhões de eleitores registrados, teve índice de participação de 48%, de acordo com as estimativas preliminares. A votação era considerada por analistas um ensaio geral para a disputa presidencial em 2024.

O Estado do México é um dos mais violentos do país, com elevada taxa de homicídios e desaparecimentos em suas localidades mais pobres, situação agravada pela impunidade e corrupção das autoridades.

Em contraste, o “Edomex” – como o estado é conhecido – também é sede de grandes indústrias (Nestlé, Ford) e atrações turísticas como as ruínas pré-hispânicas de Teotihuacan

Com 17 milhões de habitantes e um peso econômico equivalente a 9,1% do PIB nacional, esta “é uma minirrepública mexicana” fragmentada entre zonas modernas e outras “profundamente rurais”, descreve Tovar.

Eleição em Coahuila

O domingo também foi marcado pela votação no estado de Coahuila (norte), limítrofe com os Estados Unidos, onde os eleitores escolheram um novo governador e 25 legisladores do Parlamento local.

Ao contrário do estado do México, o Morena demonstrou fragilidades em Coahuila com uma disputa acirrada entre os pré-candidatos ao governo, cenário que levou Ricardo Mejía, ex-subsecretário de Segurança de López Obrador, a romper a aliança governista e apresentar uma candidatura independente.

A divisão prejudicou o candidato morenista Armando Guadiana, que ficou relegado a um distante segundo lugar contra o candidato do PRI, Manolo Jiménez, que liderava com 57% dos votos e uma vantagem de quase 35 pontos sobre o adversário, de acordo com a apuração rápida do INE.

O PRI mantém assim o domínio histórico no estado, que governa desde 1929.

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