Papa ridiculariza manifestantes anti-máscara em livro de entrevistas

'Esses aí nunca protestariam contra a morte de George Floyd', disse o pontífice

Foto: Andreas SOLARO/AFP)

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Mundo

O Papa criticou, em um livro onde concede entrevistas a um autor britânico, lançado nesta segunda-feira 23, aqueles que se opõem ao uso de máscaras e outras restrições impostas para conter a nova pandemia do coronavírus. “Esses aí nunca protestariam contra a morte de George Floyd“, ironizou Francisco.

 

 

“Alguns grupos têm protestado contra as máscaras, recusando-se a manter distância, manifestando-se contra as restrições às viagens – como se as medidas que os governos devem impor para o bem do seu povo constituíssem uma espécie de ataque político à liberdade individual”, lamenta o Papa em “A Path to a Better Future”, livro de entrevistas ainda sem data conhecida para lançamento no Brasil.

Francisco critica em particular aqueles que se revoltam “para serem obrigados a usar uma máscara”, uma obrigação descrita como “um abuso do poder do Estado”, sem nunca “se preocupar com aqueles que perderam seus empregos ou mesmo faliram, sem segurança social”

“Você nunca verá essas pessoas protestando contra a morte de George Floyd, elas são incapazes de sair de seu mundinho de interesses”, acrescenta o pontífice.

A morte brutal de George Floyd, um afro-americano sufocado sob o joelho de um policial branco no final de maio nos Estados Unidos, gerou uma onda de protestos em todo o mundo. O Papa, muito empenhado na defesa das minorias, considerou “intolerável” naquele momento “qualquer forma de racismo”.

Os antimáscaras não se manifestarão nem “contra favelas onde as crianças carecem de água e educação” nem para que “as enormes somas investidas no comércio de armas sirvam para alimentar toda a raça humana e educar cada criança ”, estima o soberano pontífice no livro.

 

Crítica aos governos

Francisco, de 83 anos, também ataca longamente, mesmo sem nomeá-los, “os governos que ignoraram as dolorosas evidências do aumento do número de mortes com consequências inevitáveis ​​e graves a favor da retomada da economia”. Apesar de reconhecer que “a maioria dos governos agiu com responsabilidade, impondo medidas estritas para conter a epidemia.”

Nesta nova obra escrita com o jornalista britânico Austen Ivereigh, ele também diz que se opõe à retirada do espaço público de estátuas de figuras históricas associadas, em particular, à escravidão ou outras formas de opressão.

“Para que haja uma história verdadeira é preciso haver uma memória, o que exige que reconheçamos os caminhos já percorridos, mesmo que vergonhosos”, disse.

“A ignomínia do nosso passado, em outras palavras, faz parte de quem e do que somos. Recordo esta história não para louvar os opressores de outrora, mas para honrar o testemunho e a grandeza alma daqueles que oprimiram “, acrescenta Francisco.

 

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