Pandemia assola a Europa, mas o pior ainda está por vir, adverte Merkel

O impacto total da intensificação dos contatos sociais durante as festas de final de ano ainda não é visível nas estatísticas

Premiê alemã, Angela Merkel (Foto: John MACDOUGALL / AFP)

Premiê alemã, Angela Merkel (Foto: John MACDOUGALL / AFP)

Mundo

A epidemia de Covid-19 está se acelerando na Europa, com 20.000 mortes registradas neste domingo 10 na Bélgica e 40.000 na Alemanha, onde a chanceler Angela Merkel alertou que o pior ainda está por vir.

 

 

Desde que Pequim anunciou há um ano, em 11 de janeiro de 2020, a primeira morte por Covid-19, um homem que fazia compras frequentes em um mercado de Wuhan, o vírus matou quase 2 milhões pessoas ao redor do mundo, e mergulhou o planeta em uma crise econômica sem precedentes.

Um ano depois, a rápida disseminação de novas variantes mais contagiosas tem provocado novas ondas epidêmicas e o risco de asfixia de hospitais, como no Reino Unido, que superou a marca de 80.000 mortes, ou na Alemanha, e novas medidas restritivas em todo o planeta, em Quebec e na Suécia em particular.

As próximas semanas constituirão “a fase mais difícil da pandemia”, com equipes médicas trabalhando no máximo de suas capacidades, alertou Angela Merkel. Mais de 80% dos leitos de terapia intensiva do país estão ocupados.

Sobretudo porque, sublinhou, o impacto total da intensificação dos contatos sociais durante as festas de final de ano ainda não é visível nas estatísticas.

A Bélgica superou neste domingo as 20.000 mortes ligadas ao novo coronavírus. Metade era de residentes de lares de idosos. Com uma taxa de 1.725 mortes por milhão de habitantes, a Bélgica está em primeiro lugar no mundo em mortalidade em comparação com sua população.

No Reino Unido, o sistema de saúde está “enfrentando atualmente a situação mais perigosa de que podemos lembrar”, alertou Chris Whitty, diretor médico para a Inglaterra.

“Se o vírus continuar nessa trajetória, os hospitais estarão em dificuldades reais, e muito em breve”, disse.

À espera do desdobramento das campanhas de vacinação, cuja lentidão é criticada, os governos, como na França ou na Suécia, endurecem medidas para reduzir os contatos, sob o risco de agravar a crise econômica.

 

Inédito desde a gripe espanhola

Na França, oito novos departamentos anteciparam o toque de recolher para 18h, para desgosto das lojas de alimentos, juntando-se a quinze departamentos que o fizeram no fim de semana passado. No resto do país, o toque de recolher começa às 20h00.

Em Mônaco, o toque de recolher será antecipado na segunda-feira para 19h.

Quarenta casos de contaminação pela variante britânica já foram detectados na França, incluindo uma família francesa que voltou da Grã-Bretanha durante as férias.

Em Quebec, um toque de recolher noturno entrou em vigor na noite de sábado para conter a segunda onda de coronavírus, uma medida sem precedentes no Canadá em toda a província desde a epidemia de gripe espanhola há um século.

A aceleração da epidemia obrigou a Suécia a romper com sua política até então menos rígida. A partir deste domingo, o governo poderá endurecer as medidas, incluindo instituindo o fechamento de lojas e restaurantes em áreas específicas.

Mas as medidas também estão causando cansaço e revoltas: na Dinamarca, onde os casos ligados à cepa mutante britânica estão aumentando, protestos contra as restrições degeneraram em confrontos no sábado e nove pessoas foram presas. “Liberdade para a Dinamarca, já chega”, gritavam os manifestantes.

Essas restrições têm como objetivo frear a disseminar antes da implementação de campanhas massivas de vacinação que poderiam erradicar a doença.

Para dar o exemplo, a rainha Elizabeth II, de 94 anos, e seu marido, o príncipe Philip, 99, receberam no sábado a primeira dose da vacina contra o coronavírus no Castelo de Windsor, onde estão confinados a oeste de Londres.

 

Negacionismo suicida

O governo pretende que todos os adultos no Reino Unido sejam vacinados até o outono (boreal) e já assumiu a liderança nessa corrida, com 1,5 milhão de pessoas já inoculadas.

País europeu mais atingido pela pandemia, com 80 mil mortes e 3 milhões de casos, o Reino Unido está em uma corrida contra o tempo contra a nova variante.

No Vaticano, o papa Francisco, de 84 anos, anunciou no sábado que seria vacinado “na próxima semana”. Chamando as pessoas a seguirem seu exemplo, ele denunciou “um negacionismo suicida” diante da vacina.

A Índia pretende imunizar 300 milhões de pessoas ao lançar em uma semana uma das maiores campanhas de vacinação contra a covid-19 do mundo. O gigante asiático é o segundo país mais afetado – depois dos Estados Unidos – com mais de dez milhões de casos detectados.

Cuba, por sua vez, anunciou que deseja testar no Irã a eficácia da Soberana 02, sua vacina candidata mais avançada.

Para ajudar os “países vulneráveis” a também ter acesso às vacinas, o Reino Unido anunciou neste domingo que arrecadou de seus aliados um bilhão de dólares (820 milhões de euros).

“Só estaremos protegidos desse vírus quando estivermos todos seguros – é por isso que estamos nos concentrando em uma solução global para um problema global”, disse o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab.

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