Mundo
Os segredos de Murdoch
Magnata não se queixa de investigação parlamentar de seu grupo, mas não poupa elos de políticos com a mídia
O empresário da comunicação mais poderoso do Reino Unido, Rupert Murdoch, voltou a prestar esclarecimentos sobre o escândalo dos grampos telefônicos ilegais em seu tabloide News of the World (NOTW) na quinta-feira 26. Por dois dias, o magnata de 81 anos falou durante mais de três horas à comissão parlamentar do Inquérito Leveson a investigar a ação da mídia, e deu detalhes da relação entre imprensa e políticos no país.
Dono de uma fortuna de 7,6 bilhões de dólares derivada do império midiático da News Corporation, Murdoch considerou o caso “uma séria mancha” na sua reputação e desculpou-se. Convenceu a poucos, mas mostrou que raramente se nega a comparecer perante a corte em Londres quando requisitado, assim como seu filho James Murdoch, ex-presidente executivo da News International.
O poderoso dono da NC também não recorreu ao expediente da violação da liberdade de imprensa pela investigação da conduta do NOTW, que gerou a prisão de diversos jornalistas de seu grupo. O assunto, inclusive, não faz parte da pauta dos veículos “locais” da imprensa.
Embora tenha sido irônico ao agradecer pela oportunidade de “pôr alguns mitos no seu lugar” – além de reconhecer ter falhado ao negar o conhecimento sobre a verdadeira escala dos grampos telefônicos até 2010 devido à conduta de subordinados que o deixaram sem informações -, Murdoch faz do Inquérito Leveson, aberto em novembro passado, um palco para escancarar a relação de seu grupo com os mais influentes políticos britânicos. Revelou “segredos” enquanto atacou rivais e ex-colegas.
Entre as exposições mais importantes está uma suposta ameaça por telefone do ex-primeiro-ministro Gordon Brown em 2009, para que seus jornais apoiassem o partido Trabalhista na eleição geral do ano seguinte.
Brown nega o contato, mas o empresário entregou espontaneamente provas de sua relação tensa com o ex-líder trabalhista. Cartas trocadas entre os dois um mês antes do pleito em 2010 mostram Brown reclamando da cobertura do diário The Sun sobre a guerra do Afeganistão em um momento no qual Murdoch apoiava os Conservadores.
Em uma das correspondências, Brown revela ter conversado com Murdoch “há algum tempo” e que ambos haviam “concordado sobre a importância da guerra contra o Talibã no Afeganistão e sobre a importância de apoiar as tropas britânicas no Iraque”. O magnata respondeu que o Sun continuava a apoiar a guerra, mas não o governo: “Nossa crítica é sobre a administração da missão”.
Sobre a interação com os políticos, Murdoch declarou: “É natural que eles busquem editores e às vezes proprietários, se estiverem disponíveis, para explicar o que estão fazendo. Mas eu era apenas um entre muitos”.
Algo evidenciado na quinta-feira 26, quando outro efeito colateral do escândalo dos grampos atingia o Ministro da Cultura do Reino Unido, Jeremy Hunt, pressionado após seu secretário se recusar em 10 ocasiões a confirmar se um conselheiro especial de Hunt havia conversado com um lobista do grupo de Murdoch em busca de aprovação para a compra da plataforma televisiva BSkyB em 2011.
Aprofundando-se cada vez mais na relação da mídia com políticos e funcionários públicos, o inquérito vai analisar se o regime regulatório da imprensa britânica falhou. Depois investigará a conduta do grupo de Murdoch e de outras empresas de comunicação, o que inclui aspectos como suborno à polícia por informações privilegiadas.
O processo, ao que tudo indica, deve ocorrer com a colaboração de Murdoch, embora seu discurso esteja baseado no temor de alguém que ainda não se sente livre de uma responsabilização criminal pelo ocorrido.
O empresário da comunicação mais poderoso do Reino Unido, Rupert Murdoch, voltou a prestar esclarecimentos sobre o escândalo dos grampos telefônicos ilegais em seu tabloide News of the World (NOTW) na quinta-feira 26. Por dois dias, o magnata de 81 anos falou durante mais de três horas à comissão parlamentar do Inquérito Leveson a investigar a ação da mídia, e deu detalhes da relação entre imprensa e políticos no país.
Dono de uma fortuna de 7,6 bilhões de dólares derivada do império midiático da News Corporation, Murdoch considerou o caso “uma séria mancha” na sua reputação e desculpou-se. Convenceu a poucos, mas mostrou que raramente se nega a comparecer perante a corte em Londres quando requisitado, assim como seu filho James Murdoch, ex-presidente executivo da News International.
O poderoso dono da NC também não recorreu ao expediente da violação da liberdade de imprensa pela investigação da conduta do NOTW, que gerou a prisão de diversos jornalistas de seu grupo. O assunto, inclusive, não faz parte da pauta dos veículos “locais” da imprensa.
Embora tenha sido irônico ao agradecer pela oportunidade de “pôr alguns mitos no seu lugar” – além de reconhecer ter falhado ao negar o conhecimento sobre a verdadeira escala dos grampos telefônicos até 2010 devido à conduta de subordinados que o deixaram sem informações -, Murdoch faz do Inquérito Leveson, aberto em novembro passado, um palco para escancarar a relação de seu grupo com os mais influentes políticos britânicos. Revelou “segredos” enquanto atacou rivais e ex-colegas.
Entre as exposições mais importantes está uma suposta ameaça por telefone do ex-primeiro-ministro Gordon Brown em 2009, para que seus jornais apoiassem o partido Trabalhista na eleição geral do ano seguinte.
Brown nega o contato, mas o empresário entregou espontaneamente provas de sua relação tensa com o ex-líder trabalhista. Cartas trocadas entre os dois um mês antes do pleito em 2010 mostram Brown reclamando da cobertura do diário The Sun sobre a guerra do Afeganistão em um momento no qual Murdoch apoiava os Conservadores.
Em uma das correspondências, Brown revela ter conversado com Murdoch “há algum tempo” e que ambos haviam “concordado sobre a importância da guerra contra o Talibã no Afeganistão e sobre a importância de apoiar as tropas britânicas no Iraque”. O magnata respondeu que o Sun continuava a apoiar a guerra, mas não o governo: “Nossa crítica é sobre a administração da missão”.
Sobre a interação com os políticos, Murdoch declarou: “É natural que eles busquem editores e às vezes proprietários, se estiverem disponíveis, para explicar o que estão fazendo. Mas eu era apenas um entre muitos”.
Algo evidenciado na quinta-feira 26, quando outro efeito colateral do escândalo dos grampos atingia o Ministro da Cultura do Reino Unido, Jeremy Hunt, pressionado após seu secretário se recusar em 10 ocasiões a confirmar se um conselheiro especial de Hunt havia conversado com um lobista do grupo de Murdoch em busca de aprovação para a compra da plataforma televisiva BSkyB em 2011.
Aprofundando-se cada vez mais na relação da mídia com políticos e funcionários públicos, o inquérito vai analisar se o regime regulatório da imprensa britânica falhou. Depois investigará a conduta do grupo de Murdoch e de outras empresas de comunicação, o que inclui aspectos como suborno à polícia por informações privilegiadas.
O processo, ao que tudo indica, deve ocorrer com a colaboração de Murdoch, embora seu discurso esteja baseado no temor de alguém que ainda não se sente livre de uma responsabilização criminal pelo ocorrido.
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