Opositor de Macri na Argentina, Fernández chama Bolsonaro de “racista”

'O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e que se submeta a eleições com Lula em liberdade', disse o candidato

Chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner derrotou o presidente Mauricio Macri. Foto: Frente de Todos Media

Chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner derrotou o presidente Mauricio Macri. Foto: Frente de Todos Media

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O candidato a presidente da Argentina Alberto Fernández chamou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) de “racista, misógino e violento”, na noite de segunda-feira 12. A declaração ocorreu horas após Bolsonaro criticá-lo durante discurso no Rio Grande do Sul.

“Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que ele fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento. O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e que se submeta a eleições com Lula em liberdade”, disse o candidato a presidente.

Fernández foi vitorioso nas eleições primárias na Argentina, com 47,66% dos votos, superando os 32,08% obtidos pelo atual presidente Maurício Macri, que quer se manter no poder. Na chapa de Fernández, a ex-presidente Cristina Kirchner aparece como candidata a vice.

Após o resultado das primárias, Bolsonaro afirmou que, se a chapa Fernández-Kircher se reeleger, o Brasil poderia ver “irmãos argentinos fugindo para cá”. Bolsonaro é apoiador declarado de Macri.

“Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima. E não queremos isso: irmãos argentinos fugindo para cá, tendo em vista o que de ruim parece que deve se concretizar por lá caso essas eleições realizadas ontem se confirmem agora no mês de outubro”, afirmou.

Bolsonaro também vinculou a figura de Cristina Kirchner à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e ao presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Não se esqueçam que aqui mais ao Sul, na Argentina, o que aconteceu nas eleições de ontem. O que aconteceu nas eleições de ontem… A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma Rousseff, e a mesma de Maduro e [Hugo] Chávez, e Fidel Castro, deram sinal de vida aqui.”

As promessas de Macri e a situação real da Argentina

Macri foi eleito em 2015 com a promessa de recuperar o crescimento econômico por meio de reformas liberalizantes. Entretanto, após quatro anos, o país enfrenta uma crise envolvendo inflação elevada e recessão. Segundo dados divulgados em março pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza no país atingiu 32% população urbana, o número mais alto desde 2001.

Outra pesquisa divulgada em julho pela Universidade Católica Argentina mostrou que 51,7% de crianças e adolescentes do país vivem abaixo da linha da pobreza, a maior cifra da década. O estudo também diz que 63,4% dos argentinos abaixo de 17 anos não têm garantia de ao menos um direito fundamental, como saúde, educação e saneamento.

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