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Oposição sul-coreana vence eleições legislativas e amplia maioria no Parlamento

O Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e seus partidos aliados conquistaram cerca de 197 assentos, 41 a mais em relação à configuração atual, mostram as projeções após o fim da votação

Votação na Coreia do Sul. Foto: ANTHONY WALLACE / AFP
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A oposição da Coreia do Sul venceu as eleições legislativas e aumentou seu número de deputados, em um golpe para o presidente Yoon Suk Yeol e sua agenda conservadora, segundo as pesquisas de boca de urna.

O Partido Democrático (PD, centro-esquerda), principal legenda de oposição, e seus aliados conquistariam entre 184 e 197 cadeiras de um total de 300 na unicameral Assembleia Nacional, contra 156 atualmente, indica a pesquisa de boca de urna divulgada por três canais de televisão.

O Partido Poder Popular, do presidente Yoon, e um grupo aliado conquistariam de 85 a 99 cadeiras, abaixo das 114 na legislatura em fim de mandato.

O partido Reconstruindo Coreia, fundado recentemente e liderado pelo ex-ministro da Justiça Cho Kuk, conseguiria entre 12 e 14 cadeiras, de acordo com a pesquisa.

Cho fez uma campanha solidamente antigovernamental e pode estabelecer uma aliança com o PD, o que daria à oposição a maioria absoluta de mais de 200 cadeiras.

A pesquisa de boca de urna entrevistou quase 360.000 eleitores em todo o país.

Os integrantes do PD receberam a notícia com aplausos e gritos.

O resultado é um golpe para o presidente Yoon, que, segundo analistas, ficaria enfraquecido para os últimos dois anos de mandato e sem capacidade de promover as medidas conservadoras.

Yoon venceu as eleições presidenciais de 2022 por pequena margem em uma disputa contra o líder do DP, Lee Jae-myung, que há três meses foi ferido em um ataque com faca.

Presidente impopular

No poder, Yoon estabeleceu uma política de linha dura com a Coreia do Norte, reforçou a aliança com os Estados Unidos e se aproximou do Japão, a ex-potência colonial com a qual a Coreia do Sul mantém divergências históricas.

Mas desde o início do mandato, ele é um presidente impopular, com índices de aprovação abaixo de 30%.

Yoon Suk Yeol, presidente da Coreia do Sul.
Foto: YONHAP / AFP

A impopularidade é resultado da “ausência de progressos reais nas questões políticas e econômicas internas”, disse à AFP Andrew Yeo, cientista político da Universidade Católica da América.

“Os preços e a inflação continuam altos, a moradia é cara e a polarização política continua elevada”, disse

O tom da campanha também afastou muitos eleitores, com pouco debate político e muitas frases de efeito, tudo acompanhado por uma onda de discursos de ódio e desinformação que, segundo os analistas, podem levar a mais ataques como o sofrido por Lee em janeiro.

Antes da votação, o líder do novo partido Reconstruindo a Coreia antecipou que seu plano é enfraquecer o poder de Yoon.

“Vou transformar o presidente Yoon em um pato manco. E depois em um pato morto”, declarou o ex-ministro Cho à AFP recentemente.

Lee, 60 anos, também é investigado em vários casos, entre eles um de supostos subornos relacionados a transferências ilícitas para a Coreia do Norte. O opositor nega todas as acusações.

O PD aposta em uma estratégia menos agressiva em relação a Pyongyang e seu líder já vez várias declarações a favor da China.

Ele também aproveitou uma gafe do presidente Yoon no mês passado sobre o preço “razoável” da cebolinha, um ingrediente básico na cozinha coreana cujo preço registrou alta expressiva.

Agora, esta hortaliça simples virou uma peça habitual nos comícios do PD. A Comissão Nacional Eleitoral teve que proibir a presença da cebolinha nos locais de votação.

O presidente Yoon também foi afetado pela divulgação de um vídeo, com imagens registradas por câmeras escondidas e que mostram a primeira-dama, Kim Keon Hee, aceitando uma bolsa de luxo Dior avaliada em 2.200 dólares (11.000 reais).

O presente viola as leis sul-coreanas que proíbem os funcionários públicos e seus cônjuges de receber qualquer objeto de valor superior a US$ 750 (R$ 3.770).

Yoon chamou o vídeo de “armação política” e afirmou que sua esposa só aceitou a bolsa porque era incômodo recusar o presente.

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