Mundo
ONU: Mais de 20 mil pessoas têm ferimentos com impactos duradouros em Gaza
A situação é agravada pela destruição de mais de metade dos hospitais da região
Além de ter causado mais de 40 mil mortes, as ações de Israel no território palestino da Faixa de Gaza provocaram lesões “com impactos duradouros” em pelo menos 22,5 mil pessoas, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas.
Os dados levam em conta casos como amputações, lesões cerebrais e queimaduras. A maior parte dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde, é de lesões graves em braços e pernas – entre 13,4 e 17,5 mil casos. Muitas pessoas têm mais de um ferimento do tipo, e pelo menos 3.105 pessoas sofreram amputações.
A situação de hospitais e centros de atendimento de emergência na região torna o cenário ainda mais crítico. Segundo a ONU, que tem uma agência permanente em Gaza, há apenas 17 hospitais em condição de oferecer atendimento – todos eles com funcionamento parcial. Outros 19 foram destruídos em meio aos bombardeios de Israel.
Em um dos episódios mais recentes em Gaza, seis funcionários das Nações Unidas foram mortos depois que uma escola transformada em abrigo foi atingida por dois ataques aéreos israelenses na quarta-feira 11.
O caso levou a manifestações de aliados dos israelenses, como Alemanha e Reino Unido. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “o que está acontecendo em Gaza é totalmente inaceitável” e que “essas violações dramáticas do direito internacional humanitário precisam acabar agora.”
Impactos econômicos
Os ataques israelenses, que completaram 11 meses, causam também a devastação econômica do território da Faixa de Gaza. A ONU afirma que há uma “profunda destruição econômica” na região, com o fim de 82% das empresas locais.
Um relatório aponta que pelo menos 80% dos ativos agrícolas (como sistemas de irrigação, plantações, maquinário, instalações e explorações pecuárias) foram destruídos. Esse índice, porém, pode chegar a 96%.
O Produto Interno Bruto de Gaza, segundo a ONU, é hoje um sexto do registrado em 2022, último ano concluído antes do início dos ataques israelenses.
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