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Ocupações feministas se espalham por centros de ensino no Chile

Mundo

As manifestantes exigem o fim da violência machista e defendem uma “educação não sexista”

Estudantes mulheres de todo o Chile ocuparam suas universidades e escolas para exigir, pela primeira vez, o fim da violência machista e defender uma “educação não sexista”, em um movimento feminista que ganha força a cada dia.

“Irmã, acredito em você”, diz um enorme cartaz instalado na frente da faculdade de Direito da Universidade do Chile, em Santiago, dando as boas-vindas à inédita ocupação da escola de advocacia mais antiga e importante do país, onde o machismo está arraigado há décadas, segundo denunciam suas estudantes.

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Há duas semanas, as alunas tomaram as dependências desta faculdade, onde se formam os juristas mais prestigiados do país, alegando demora na resolução de uma denúncia de assédio sexual contra um de seus professores.

Seguindo uma “ocupação” similar na Universidade Austral, que começou uma semana antes, uma multidão formada principalmente por estudantes mulheres bloqueou com cadeiras os acessos à faculdade, paralisaram as aulas, restringiram o livre acesso à escola e organizam a cada dia uma série de atividades para refletir sobre os alcances do feminismo.

“Isso é algo que em algum momento ia explodir”, conta à AFP Nelly Díaz, uma das porta-vozes da ocupação, que entre suas atividades planeja oficinas de “Expressão corporal para uma autonomia feminista”, “Retrato feminista”, “Conversa ‘antiespecista'” e cursos de “Autodefesa feminista” e “Ginecologia natural”.

O caso que concretizou esta campanha foi uma denúncia de abuso sexual contra o professor Carlos Carmona, ex-presidente do Tribunal Constitucional do Chile.

A denúncia foi apresentada em agosto de 2017 por uma aluna que trabalhava com ele em seu escritório particular, sem que até agora a universidade tenha adotado qualquer tipo de sanção. Neste tempo, o professor continuou dando palestras e lhe concederam disciplinas, segundo denúncias de alunas.

A Comissão de Educação e Cultura do Senado convocou para 16 de maio representantes da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), do Conselho de Reitores do Chile (Cruch) e de universidades regionais e privadas para analisar “o que está acontecendo e como podemos contribuir para resolver este clima de insegurança”.

Movimento em ascensão

Coincidindo com a decisão de vários municípios de Santiago de proibir as cantadas nas ruas e a denúncia de abuso sexual que derrubou o considerado “czar” das séries televisivas chilenas, as “ocupações” feministas ganharam terreno no Chile.

Junto com várias faculdades da Universidade do Chile e da Austral, também aderiram universidades como a de Concepción, Diego Portales, Andrés Bello, Católica de Valparaíso, Católica de Temuco e a Universidade Tecnológica Metropolitana, em  Santiago e outras cidades.

A principal demanda é acabar com a violência machista, mas as reivindicações vão muito mais além.

“Abordar essas questões é fundamental para que mudemos todo o sistema”, diz Nelly Díaz.

Dentro das demandas das estudantes está a instauração de um protocolo único, ativo e eficiente de atendimento de denúncias de abuso sexual no âmbito educacional, que acreditam ser terreno fértil para este tipo de ato.

A reivindicação também contempla a “capacitação ‘triestamental’ (professores, alunos e equipe administrativa), de caráter obrigatório e no horário de trabalho” em temas de feminismo e igualdade de gênero, junto com mudanças nas grades curriculares para incluir uma maior quantidade de mulheres tanto na lista acadêmica como nas bibliografias de estudos.

“Nossas instituições não conseguiram levar a sério a violência de gênero, abordá-la e entendê-la como um fenômeno estrutural”, afirmou Emilia Schneider, outra das porta-vozes da mobilização.

Também se somaram ao movimento estudantes do Ensino Médio que, na quarta-feira, protestaram pelas ruas de Santiago exigindo uma “Educação sexual, pública, feminista e não sexista”, a nova consigna dos estudantes chilenos que antes brigaram por uma “educação pública, gratuita e de qualidade”.

*Leia mais em AFP

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