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O que se sabe sobre a forte tempestade de inverno que atinge os EUA
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, alertou que até 240 milhões de americanos poderiam ser afetados
Uma enorme tempestade de inverno avança neste domingo 25 para o nordeste dos Estados Unidos, após despejar neve e granizo em grande parte do país, ameaçando dezenas de milhões de pessoas com cortes de energia, caos nos transportes e temperaturas abaixo de zero.
Depois de atingir as regiões sudoeste e central dos Estados Unidos, a tempestade passou a afetar os estados densamente povoados do Atlântico Médio e do Nordeste, enquanto uma massa de ar gelado se instalava em todo o território nacional.
O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês) classificou a tempestade como “inusitadamente extensa e de longa duração”, provocada pela chegada de uma massa de ar ártico vinda do Canadá.
Os clientes esvaziaram as prateleiras dos supermercados diante dos alertas do NWS, que previa fortes nevascas em algumas áreas e acúmulo de gelo potencialmente “catastrófico” devido à queda de granizo.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, alertou que até 240 milhões de americanos poderiam ser afetados pela tempestade. Pelo menos 20 estados e a capital, Washington, declararam estado de emergência.
Foram registradas nevascas em todo o centro dos Estados Unidos, incluindo Kansas, Oklahoma e Missouri, onde alguns locais já contabilizavam 20 centímetros de neve acumulada na noite de sábado, informou o NWS.
Cerca de 14.000 voos com origem ou destino aos Estados Unidos foram cancelados neste sábado, segundo o site especializado FlightAware, e milhares sofreram atrasos.
No Texas, a queda de granizo atingiu Dallas e as temperaturas despencaram para -6°C.
Em Houston, o prefeito John Whitmire pediu aos moradores da quarta cidade mais populosa do país que permanecessem em casa na noite de sábado pelas próximas 72 horas.
Eric Maple, de 56 anos, aguardava a abertura de um abrigo em Houston. “Não estamos acostumados ao que supostamente vem”, disse à AFP.
“Sejam inteligentes” e fiquem em casa
As autoridades estaduais também buscaram tranquilizar os moradores sobre a resiliência da rede elétrica, que sofreu um apagão generalizado durante a última grande tempestade de inverno em 2021.
No entanto, quase 180.000 residências nos Estados Unidos estavam sem eletricidade até a manhã deste domingo, segundo o site poweroutage.us, com mais de 45.000 cortes no Texas e 67.000 na vizinha Luisiana.
“Os efeitos da neve e do granizo persistirão até a próxima semana, com episódios de congelamento que manterão as superfícies congeladas e perigosas para dirigir e caminhar”, informou o serviço meteorológico.
O governo federal anunciou que seus escritórios estarão fechados na segunda-feira como medida de precaução.
Da sede da agência federal de gestão de emergências (Fema), em Washington, a chefe do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, alertou para que os habitantes “sejam inteligentes, fiquem em casa se possível” e “cuidem de seus familiares”.
“Condições extremamente perigosas”
As perturbações do vórtice polar, que enviam essas massas de ar ártico para os Estados Unidos, tornaram-se mais frequentes nos últimos 20 anos.
Isso pode ser devido ao aquecimento relativamente rápido do Ártico, que enfraquece o cinturão de ventos que normalmente isola a atmosfera sobre essa região polar da América do Norte.
Ainda assim, os cientistas esperam contar com mais dados, durante um período mais longo, para estabelecer um vínculo entre essas tempestades de inverno extremas e a mudança climática.
Mas Trump, um cético da mudança climática, preferiu questionar como essa frente fria se encaixa no fenômeno do aquecimento global.
“O QUE ACONTECEU COM O AQUECIMENTO GLOBAL?”, questionou Trump em sua plataforma Truth Social.
O NWS advertiu que o gelo intenso pode provocar “cortes de energia elétrica de longa duração, danos extensos em árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis”, mesmo em muitos estados que não costumam ter invernos rigorosos.
No estado de Nova York, a governadora Kathy Hochul (democrata) pediu para os habitantes não saírem às ruas.
“Cinco ou seis minutos do lado de fora podem literalmente ser perigosos para a saúde”, advertiu.
As autoridades alertaram que as baixas temperaturas esperadas após a tempestade podem durar até uma semana, especialmente nas Grandes Planícies e no centro-norte do país, onde se prevê mínimas de sensação térmica abaixo de -45ºC.
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