Mundo
O pior país do mundo
Não se deve perder de vista que a guerra foi iniciada por Israel. Os Estados Unidos acompanharam a agressão
Preparem-se para um artigo violento. A paciência da gente se esgota e com ela some também a capacidade de medir palavras e fazer as devidas ressalvas. Para determinados assuntos, pelo menos. Qual é o pior país do mundo? Seriam os Estados Unidos? Há muitos motivos para pensar assim, eu mesmo morei oito longos anos em Washington e sei como os norte-americanos podem ser desagradáveis e até detestáveis. Muito mais importante: o Império norte-americano tem uma longa lista de crimes e agressões contra outros países. Seus últimos feitos foram o ataque à Venezuela e a intensificação do embargo criminoso contra Cuba.
Mas ninguém consegue superar o Estado genocida e terrorista de Israel. Um alerta meio óbvio: vou falar aqui do Estado de Israel (que nunca deveria ter sido criado) e do projeto sionista que levou à sua criação – não propriamente do povo judeu ou dos judeus em geral.
Note-se, entretanto, que as políticas do governo de Israel são apoiadas pela maioria dos judeus israelenses, em especial a agressão ao Irã e a oposição à criação de um Estado palestino. Essas políticas são apoiadas também pela maioria das comunidades sionistas em outros países, inclusive aqui no Brasil e – mais importante – nos Estados Unidos.
O cientista político norte-americano, John Mearsheimer, em coautoria com Stephen Walt, escreveu um importante livro, publicado em 2007, sobre o que ele denomina de “Israel lobby”, cuja influência decisiva nos Estados Unidos, notadamente em Nova York e Washington, termina por subordinar a política externa estadunidense – um caso clássico do rabo abanando o cachorro.
Um país pequeno, com 10 milhões de habitantes, dá as cartas para a superpotência, os Estados Unidos, contribuindo para acentuar a sua delinquência. Esses judeus sionistas financiam campanhas sórdidas, corrompem, elegem e controlam políticos para a Presidência e o Congresso, controlam grande parte da mídia, são donos de bancos e outras instituições financeiras privadas e têm forte influência em Hollywood e na indústria da pornografia.
Mandam e desmandam. Beneficiam seus serviçais e ameaçam, chantageiam e punem seus críticos. Jeffrey Epstein, não por acaso, era judeu. O lobby israelense faz parte, na verdade, de algo maior e mais desastroso para os Estados Unidos – a subordinação das políticas públicas a bilionários e lobbies privados – entre os quais figuram também as big techs (gigantes da tecnologia), o complexo industrial-militar (que ganha com todas as guerras), o lobby cubano (focado em boicotar Cuba), o lobby pró-armas, o lobby financeiro (que se sobrepõe em grande parte ao israelense), entre outros.
Não há democracia, mas plutocracia – o governo dos ricos. E cleptocracia – o governo dos ladrões. E, também, kakistoscracia – o governo dos piores. Não é o que se vê, diga-se de passagem, na Rússia e na China. Mas volto à comunidade judaica. Os judeus têm, desde tempos remotos, forte presença nos meios financeiros privados – em bancos e demais instituições financeiras. Sabem ganhar dinheiro. Mas isso não quer dizer grande coisa. Muitos ditos “gênios financeiros” não passam em geral de figuras bisonhas. A dedicação a assuntos financeiros parece levar inexoravelmente a uma perda continuada de massa cerebral e criatividade, além de solapar valores éticos.
Bem. Uma das singularidades do povo judeu é a mistura de gênios, verdadeiros gênios, com uma massa criminosa e/ou medíocre. Entre os gênios, podemos lembrar Marx, Freud, Kafka e Einstein. E entre economistas judeus norte-americanos de projeção hoje em dia podemos lembrar Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Jeffrey Sachs (nenhum deles sionista).
A influência israelense abrange as big techs, o complexo industrial-militar, o lobby cubano e o sistema financeiro
Para mim, entretanto, o judeu mais importante de todos foi Heinrich Heine, um poeta alemão, da primeira metade do século XIX, que figura com destaque nos Estilhaços, meu livro mais recente, e por quem tenho verdadeira paixão desde os meus 22 anos.
Por outro lado, a galeria de mediocridades judaicas é extensa. Dou alguns exemplos a esmo. Aqui no Brasil temos Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores no governo Fernando Henrique Cardoso, o mais limitado que já comandou o Itamaraty (superado apenas por Ernesto Araújo, nomeado por Bolsonaro).
Outro exemplo, este da área financeira brasileira: Luís Stuhlberger. Até recentemente eu nunca ouvira falar dele. Sinal alarmante de ignorância financeira, pois ele é um destacado e respeitado judeu, que integra as hostes da Faria Lima. Não sei se merece respeito. Vejam, por exemplo, a entrevista que ele deu ao jornal Valor (publicada em 30 de maio de 2025, p. C3), um verdadeiro festival de asneiras políticas, econômicas e culturais, inclusive na linguagem salpicada de termos em inglês para os quais há palavras rigorosamente equivalentes na nossa língua.
Volto aos Estados Unidos. Como mencionei, os judeus têm, historicamente, forte presença no setor financeiro privado – em bancos, fundos de investimento e outras instituições financeiras. Menos conhecida é a presença desse lobby no setor financeiro público, especialmente nos Estados Unidos. No FMI, por exemplo, onde trabalhei por oito anos, todos ou quase todos os representantes do governo norte-americano na Administração e na Diretoria eram judeus norte-americanos (alguns bem inteligentes). Mais importante: o lobby domina também o Tesouro dos EUA (o Ministério das Finanças deles). Nas décadas recentes, a maioria dos Secretários do Tesouro (ministros de Finanças) dos EUA foram também judeus norte-americanos. A “comunidade” marca presença.
E é o Tesouro que dá as cartas no FMI, no Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entidades financeiras sediadas em Washington. Não é por acaso, por exemplo, que uma mediocridade brasileira, o judeu Ilan Goldfayn, foi guindado à presidência do BID. Ele está lá para cumprir as ordens do Tesouro dos EUA, leia-se, do lobby sionista.
Mas não vamos gastar pólvora com chimango. O que importa são as barbaridades que o Estado terrorista de Israel está cometendo em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano e, agora, com o ataque ao Irã. Não se deve perder de vista que a guerra foi iniciada por Israel. Os Estados Unidos acompanharam a agressão.
O Irã já provou que não é nenhum país indefeso. Ao contrário, está castigando Israel com uma chuva de mísseis balísticos e drones, que atingem Tel-Aviv e Haifa, entre outros locais. A economia israelense está sendo arruinada. E os israelenses estão provando do próprio veneno.
Israel desencadeou uma guerra regional, com consequências econômicas sociais e políticas para o mundo inteiro. Esse país criminoso precisa ser parado.
Vida longa ao Irã e ao grande povo iraniano! Que não lhes faltem munições, mísseis e drones para deter Israel e outros inimigos da humanidade. •
Publicado na edição n° 1405 de CartaCapital, em 25 de março de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘O pior país do mundo’
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



