Netanyahu cai e Naftali Bennett é o novo primeiro-ministro israelense

Bennett, chefe do partido de direita Yamina, conseguiu tirar Netanyahu de 12 anos de poder após aliança com centro, esquerda e minoria árabe

(Foto: Menahem KAHANA / AFP)

(Foto: Menahem KAHANA / AFP)

Mundo

Israel inicia, neste domingo 13, uma nova etapa de sua história. O parlamento israelense (Knesset) aprovou o novo governo, formado pelo centrista e líder da oposição Yair Lapid e o chefe da direita radical Naftali Bennett, que assume o cargo de primeiro-ministro e consolida a queda, depois de 12 anos no poder, de Benjamin Netanyahu.

Essa coalizão heterogênea (dois partidos de esquerda, dois de centro, três de direita e uma formação árabe) conseguiu 60 dos 119 deputados presentes (dos 120 da Câmara), e 59 contra, pertencentes ao Likud do chefe de Governo cessante e dos grupos de extrema direita e ultraortodoxos.

Benjamin Netanyahu, de 71 anos, afirmou perante o Knesset que continuará na política, como opositor, após a chegada de uma nova coalizão ao governo, e que retornará ao poder “em breve”. “Se o nosso destino é estar na oposição, faremos isso de cabeça erguida, derrubaremos esse mau governo e voltaremos a liderar o país a nossa maneira. Voltaremos logo!”.

 

“Transição pacífica”

A nova coalizão será liderada por Naftali Bennett, chefe do partido de direita Yamina, pelos primeiros dois anos, e depois por Yair Lapid por um período equivalente.

Nos últimos dias tem havido uma intensa campanha para dissuadir os deputados do Yamina de votar no novo governo.

O partido Likud, de Netanyahu, se comprometeu com uma “transição pacífica de poder” após mais de dois anos de crise política com quatro eleições, cujos resultados não permitiram a formação de um governo ou levaram a uma união nacional que durou apenas alguns meses.

Depois das últimas legislativas em março, a oposição se uniu contra Netanyahu e surpreendeu ao conquistar o apoio do partido árabe israelense Raam, do islamista moderado Manssur Abbas.

“O governo trabalhará para toda a população, religiosa, laica, ultraortodoxa, árabe, sem exceção”, prometeu Bennett.

“A população merece um governo responsável e eficaz que coloque o bem do país em primeiro lugar em suas prioridades”, acrescentou Lapid, que deve se tornar ministro das Relações Exteriores.

A coalizão se comprometeu a realizar uma investigação sobre a debandada do Monte Merón (45 ortodoxos mortos), reduzir o “crime” nas cidades árabes e defender os direitos das pessoas LGBT.

Mas também visa fortalecer a presença israelense na área C da Cisjordânia, ou seja, sobre a qual Israel tem total controle militar e civil e que representa cerca de 60% desse território palestino ocupado desde 1967.

O agora ex-primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Foto: GIL COHEN-MAGEN/AFP

Desafios

Não faltarão desafios para o novo governo, como uma marcha planejada na terça-feira pela extrema direita israelense em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel.

O movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, um enclave palestino sob bloqueio israelense, ameaçou retaliar se essa marcha acontecer perto da Esplanada das Mesquitas, em um contexto de extrema tensão sobre a colonização israelense em Jerusalém.

Em 10 de maio, o Hamas disparou uma salva de foguetes contra Israel em “solidariedade” aos palestinos feridos em confrontos com a polícia israelense em Jerusalém, levando a um conflito de 11 dias com o exército israelense.

O conflito terminou graças a um cessar-fogo promovido pelo Egito, mas as negociações para chegar a uma trégua sustentável falharam. Resolvê-lo será outro desafio do executivo.

O primeiro-ministro cessante ficará exposto, segundo a imprensa local, a uma rejeição dentro do Likud, porque alguns dos seus deputados também querem virar a página para a era Netanyahu no partido.

*Com informações da AFP

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem