Mundo
Nasa demite cientista-chefe e prevê mais cortes
Jared Isaacman, bilionário que dirige a agência espacial dos EUA, é cliente da SpaceX, a empresa de Elon Musk que tenta ampliar participação no mercado aeroespacial
A Nasa anunciou na terça-feira 11 a demissão de sua cientista-chefe e de outros 22 funcionários para cumprir a ordem do presidente Donald Trump, um corte que se soma a outras medidas do governo que afetam a pesquisa sobre mudanças climáticas.
A agência espacial americana informou que adotará mais cortes e que eliminou o Escritório da Cientista-Chefe, liderado por Katherine Calvin, uma renomada climatologista que contribuiu para relatórios cruciais da ONU sobre o clima.
“Para otimizar nossa força de trabalho, e em cumprimento a uma ordem executiva, a Nasa está iniciando o processo de redução gradual de funcionários”, disse a porta-voz da agência, Cheryl Warner. Ela acrescentou que alguns funcionários poderão optar pelo programa de aposentadoria antecipada voluntária.
A Nasa também eliminou o Escritório de Tecnologia, Política e Estratégia e a divisão de Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade.
Até o momento, a Nasa havia evitado os cortes profundos que afetam outras agências.
Em fevereiro, a agência deveria demitir quase mil funcionários em período de experiência, mas Jared Isaacman, nomeado por Trump para dirigir a Nasa, solicitou a suspensão dos cortes, segundo a Ars Technica.
Isaacman, bilionário do setor de pagamentos eletrônicos, é um cliente próximo da SpaceX, a empresa aeroespacial de Elon Musk, que assessora Trump no corte de gastos.
Em seu discurso no Congresso na semana passada, Trump prometeu que os Estados Unidos “fincarão a bandeira americana em Marte e além”.
A Nasa tem um papel crucial na pesquisa climática: a agência opera uma frota de satélites de monitoramento terrestre e desenvolve modelos climáticos sofisticados de código aberto para cientistas e a população.
Trump já chamou as mudanças climáticas de “farsa” e expressou desprezo pela ONU e pela ciência do clima, a ponto de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris pela segunda vez.
Sua administração também demitiu centenas de funcionários da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), outra agência climática fundamental do país.
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