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MP da França dificulta a candidatura de Marine Le Pen em 2027
O órgão solicitou à Justiça que confirme a inelegibilidade da líder de extrema-direita por cinco anos
A líder da extrema-direita Marine Le Pen pode não disputar a eleição presidencial da França em 2027 se a Justiça acatar o pedido do Ministério Público, apresentado nesta terça-feira 3, para torná-la inelegível por cinco anos por desvio de fundos públicos europeus.
Em março passado, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inelegibilidade imediata, uma decisão que sacudiu o tabuleiro político e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou uma “caça às bruxas”.
Marine recorreu da condenação, e um tribunal de apelações de Paris deve decidir se ela colocou em prática, entre 2004 e 2016, um sistema para que os assistentes parlamentares do seu partido, pagos pelo Parlamento Europeu, trabalhassem, na verdade, para o partido.
O MP voltou a considerar Marine culpada e pediu que ela seja condenada a um ano de prisão — que poderá ser cumprida em seu domicílio, com tornozeleira eletrônica —, cinco anos de inelegibilidade e 100.000 euros (617 mil reais) de multa.
Se o tribunal de apelações acatar o pedido do MP, Marine, 57, não poderá disputar a eleição presidencial. Para concorrer ao cargo, ela precisa de uma pena inferior a dois anos de inelegibilidade e sem medidas que a impeçam de fazer campanha.
“Marine foi a instigadora, após seu pai [Jean-Marie Le Pen], de um sistema que permitiu o desvio de 1,4 milhão de euros em nome do partido”, declarou o promotor Stéphane Madoz-Blanchet.
O MP também pediu a condenação de outros 11 acusados, entre eles ex-eurodeputados, membros e funcionários da antiga Frente Nacional (FN).
Durante o julgamento, a candidata à Presidência em 2017 e 2022 negou ter cometido um crime intencionalmente, falando de forma firme, mas contida, diferentemente do julgamento em primeira instância, quando os debates foram mais acalorados.
O objetivo da mudança de estratégia foi garantir que, em caso de condenação, a pena de inelegibilidade ou prisão lhe permita disputar as próximas eleições, das quais o presidente Emmanuel Macron já não poderá mais participar.
Marine ou Jordan Bardella, seu afilhado político, lideram as pesquisas para suceder ao centro-direitista em 2027. A sentença é aguardada para meados de 2026.
Em caso de condenação, Marine poderia recorrer ao Tribunal de Cassação, a alta corte francesa, que antecipou que se pronunciaria em janeiro de 2027, antes da eleição presidencial.
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