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Morre Ratko Mladic, condenado por genocídio em Srebrenica

Ex-chefe militar sérvio-bósnio, conhecido como ‘açougueiro da Bósnia’ e condenado à prisão perpétua, morreu aos 84 anos em Haia. Tropas comandadas por ele assassinaram mais de 8 mil muçulmanos em 1995

Morre Ratko Mladic, condenado por genocídio em Srebrenica
Morre Ratko Mladic, condenado por genocídio em Srebrenica
Ratko Mladic em julgamento em 8 de junho de 2021. Foto: Peter Dejong/Pool/AFP
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Ratko Mladic, ex-comandante das forças sérvio-bósnias conhecido como o “Açougueiro da Bósnia” por seu papel no massacre de Srebrenica, morreu nesta quinta-feira 27, informou a emissora estatal sérvia RTS. A informação foi confirmada por uma autoridade das Nações Unidas.

Mladic cumpria prisão perpétua em Haia após ser condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade por sua atuação durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. Ele havia sofrido vários derrames nos últimos meses e enfrentava problemas de saúde há anos.

Autoridades sérvias e familiares haviam pedido sua libertação por razões humanitárias devido ao agravamento de seu quadro clínico, mas os pedidos foram rejeitados pelo tribunal internacional.

Após passar anos foragido, Mladic foi preso na Sérvia em 2011. Sua captura foi considerada uma das pré-condições para que a Sérvia obtivesse o status de candidata à adesão à União Europeia. Desde então, ele permanecia sob custódia em um centro de detenção das Nações Unidas, em Haia. Nos últimos anos, foi hospitalizado diversas vezes.

Ele respondeu a 11 processos por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Bósnia-Herzegovina de maio de 1992 até o fim de 1995 e foi considerado em 2017 culpado em dez deles. Em 2021, começou a cumprir prisão perpétua.

Responsável pela morte de 8 mil bósnios muçulmanos

Mladic integrava a principal liderança sérvio-bósnia durante os conflitos que acompanharam a dissolução da antiga Iugoslávia. No campo político, atuava ao lado do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic.

A guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e provocou o deslocamento de 2,2 milhões de pessoas.

O episódio mais conhecido do conflito ocorreu em Srebrenica, em julho de 1995, quando forças sob o comando de Mladic executaram cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios que haviam buscado refúgio em uma área declarada protegida pelas Nações Unidas. O massacre é considerado o pior episódio de violência em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. 

Imagens registradas na época mostraram Mladic distribuindo doces a crianças antes de mulheres e crianças serem retiradas em ônibus. Os homens foram levados para áreas de mata e executados. Os corpos foram enterrados em valas comuns, muitas delas posteriormente reabertas e os restos mortais redistribuídos em outros locais na tentativa de ocultar as evidências.

Sobreviventes relataram assassinatos, torturas e estupros cometidos por forças sérvias da Bósnia.

Foragido, Mladic negou crimes

Em novembro de 1995, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) denunciou Mladic por crimes de guerra. Embora tenha sido afastado de suas funções, ele permaneceu foragido por mais 16 anos.

Inicialmente, viveu protegido por setores das Forças Armadas na Sérvia e manteve uma rotina confortável. A pressão por sua captura aumentou após a queda do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic.Mladic acabou preso em maio de 2011 e transferido para Haia.

Durante o julgamento e os recursos apresentados posteriormente, negou repetidamente as acusações de genocídio e crimes de guerra. Também protagonizou confrontos verbais com os magistrados, classificando o tribunal como um “filho das potências ocidentais” e afirmando ser alvo da Otan.

“Mais hediondos crimes conhecidos”

Além de Srebrenica, Mladic foi considerado culpado por comandar uma campanha mais ampla de limpeza étnica destinada a expulsar muçulmanos e bósnios de áreas estratégicas para a criação de uma chamada “Grande Sérvia”.

Na época da condenação, o tribunal afirmou que os crimes cometidos estavam “entre os mais hediondos conhecidos pela humanidade”. O ex-alto comissário da ONU para Direitos Humanos Zeid Ra’ad al Hussein descreveu Mladic como “a personificação do mal”.

Apesar disso, parte da população sérvia continuou a reverenciá-lo como um comandante militar que se apresentava como um “homem simples” escolhido pelas circunstâncias para defender seu povo.

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