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Missão da ONU na Venezuela aponta aumento nas violações de direitos humanos após reeleição de Maduro

Relatório que indica supostos crimes foi publicado nesta terça-feira

Missão da ONU na Venezuela aponta aumento nas violações de direitos humanos após reeleição de Maduro
Missão da ONU na Venezuela aponta aumento nas violações de direitos humanos após reeleição de Maduro
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Federico Parra/AFP
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Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta terça-feira 15, alerta para “crescentes violações e crimes cometidos pelo governo” da Venezuela – antes, durante e depois das eleições presidenciais do último mês de julho.

O documento de 180 páginas, elaborado por uma missão independente das Nações Unidas em território venezuelano, afirma que há “detenções arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados de curta duração e violência sexual”, tudo isso “como parte de um plano coordenado para silenciar críticos e supostos opositores”.

Na semana passada, o Conselho de Direitos Humanos da entidade renovou por mais dois anos o mandato da missão que investiga supostos crimes cometidos pelo governo Nicolás Maduro. O Brasil se absteve da votação, argumentando que a aprovação poderia contribuir para um isolamento ainda maior do mandatário venezuelano.

Segundo a missão da ONU, a eleição deste ano na Venezuela mostrou um nível de violência política “sem precedentes” por parte do governo. “Entre as vítimas, estão crianças e pessoas com deficiência”, denuncia o documento.

“A partir de outubro de 2023, no contexto de um ano eleitoral, o Estado começou a reativar o mecanismo de repressão para realizar ações destinadas a desmantelar e desmobilizar a oposição política organizada”, sintetiza o relatório.

O governo Maduro ainda não comentou o documento da equipe da ONU. O mandatário vem se defendendo das críticas sofridas desde a eleição presidencial, quando perdeu o apoio que tinha na comunidade internacional, sob acusação de ter fraudado os resultados das urnas.

Há pouco menos de dois meses, a ONG Foro Penal, que trata do tema no país vizinho, afirmou que a Venezuela tinha quase dois mil presos políticos – o maior número do século – e que a situação estava se agravando.

Foi sob risco de prisão, por exemplo, que o candidato de oposição a Maduro, Edmundo González Urrutia, fugiu para a Espanha. Ele recebeu asilo no país europeu por conta de um mandado de prisão emitido contra ele, que alega que a eleição foi fraudada.

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