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Milhares marcham contra ajuste de Milei na Argentina

Milhares marcharam do Congresso até a Plaza de Mayo sob o lema de rejeitar ‘o ajuste e a política de fome’ do governo ultraliberal

Milhares marcham contra ajuste de Milei na Argentina
Milhares marcham contra ajuste de Milei na Argentina
Protesto contra o governo MIlei. Foto: Luis Robayo/AFP
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Milhares de pessoas se manifestaram nesta segunda-feira 9 na Argentina pelo Dia Internacional da Mulher, entre cantos, bandeiras roxas e cartazes contra o governo de Javier Milei, em uma mobilização convocada um dia depois da data para permitir uma greve de mulheres.

Em Buenos Aires, milhares marcharam do Congresso até a Plaza de Mayo sob o lema de rejeitar “o ajuste e a política de fome” do governo ultraliberal.

A reforma trabalhista reduz as indenizações aos trabalhadores, permite pagamentos em espécie (bens ou serviços), limita o direito de greve e autoriza jornadas de até 12 horas sem pagamento de horas extras, entre outros pontos.

Os manifestantes, a maioria mulheres, levavam lenços verdes e roxos que simbolizam as lutas feministas, além de bandeiras do orgulho gay, tambores e cartazes pedindo justiça para vítimas de feminicídios ou com lemas como “Nem uma a menos” ou “Por que odeiam mais as feministas do que um estuprador?”.

“É uma greve e mobilização contra as políticas de ajuste do governo de Javier Milei, poucos dias depois de ter sido aprovada a reforma trabalhista que vai impactar as mulheres e dissidências”, disse à AFP a militante feminista Luci Cavallero, referindo-se à medida aprovada há duas semanas pelo Congresso e considerada “escravista” por seus detratores.

Protesto contra o governo MIlei. Foto: Luis Robayo/AFP

Em fevereiro, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw, na sigla em inglês) advertiu que a dissolução do Ministério das Mulheres por parte do governo de Milei resultou em “fragmentação de responsabilidades” e “redução da capacidade técnica dedicada ao avanço dos direitos das mulheres”.

O organismo também alertou para o desfinanciamento da linha 144 de emergência para vítimas de violência doméstica, em um país onde a Defensoria do Povo registrou 271 feminicídios em 2025 e 295 no ano anterior.

“É importante lutar pelos nossos direitos. Ainda mais neste momento em que estamos perdendo muitas coisas com este governo”, disse à AFP Graciela, uma funcionária pública de 62 anos que prefere não informar seu sobrenome.

A jornada também foi marcada por uma polêmica na província de Misiones (norte). A prefeitura da pequena localidade de Colonia Aurora foi alvo de críticas após distribuir baldes, vassouras e rodos durante um ato oficial na sexta-feira para comemorar o Dia da Mulher.

Em paralelo, o governo divulgou no domingo um vídeo institucional no qual desqualificou as políticas de gênero.

Um relatório do Indec divulgado no domingo revelou que as mulheres na Argentina ganham em média 26% menos que os homens e estão à frente de oito de cada dez lares monoparentais.

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