Mundo

Migrantes optam por pedir refúgio ao México após medidas de Trump

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum abriu a possibilidade de regularizar migrantes estrangeiros ou repatriá-los se estiverem de acordo

Migrantes optam por pedir refúgio ao México após medidas de Trump
Migrantes optam por pedir refúgio ao México após medidas de Trump
Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua. Foto: Charly Triballau/AFP
Apoie Siga-nos no

Centenas de migrantes bloqueados no sul do México optaram por pedir refúgio a este país, após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cancelar um programa que permitia a obtenção de asilo.

Muitos deles, procedentes de países latino-americanos, já haviam agendado ou buscavam datas para as entrevistas de solicitação de asilo através do aplicativo de celular CBP One, mas a plataforma foi desabilitada assim que Trump tomou posse na segunda-feira.

Relutantes a voltar para seus lugares de origem, de onde saíram fugindo da pobreza, da violência ou de perseguições políticas, centenas começaram a solicitar proteção ao México na cidade de Tapachula (Chiapas, fronteira sul com a Guatemala).

“Não posso retornar ao meu país porque sou um perseguido político. Tenho problemas lá pela política e retornar ao meu país é morrer”, disse nesta quarta-feira 22 à AFP o venezuelano Engelber Vázquez, de 42 anos, em uma longa fila diante da Comissão Mexicana de Ajuda a Refugiados (Comar).

Vázquez garante que está na mira das autoridades venezuelanas por participar dos protestos contra a reeleição de Nicolás Maduro no ano passado, que a oposição e vários governos consideram fraudulenta.

Na fila também estava o hondurenho Carlos Alfredo Maduro, de 34 anos e que chegou ao México há três meses.

“O CBP One foi cancelado e o que vamos fazer agora é […] pedir refúgio aqui, porque muitos de nós, migrantes, não queremos retornar ao nosso país. O México me estendeu a mão”, assinalou.

Além de anular o CBP One, Trump anunciou que vai deportar milhões de migrantes que residem de maneira irregular nos Estados Unidos e ordenou um reforço na segurança na fronteira com mais 1.500 militares.

O magnata republicano também reativou o programa “Fique no México”, que obriga os migrantes a esperarem a resolução de seus processos do outro lado da linha divisória, de 3.100 km.

Por sua vez, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum abriu a possibilidade de regularizar migrantes estrangeiros ou repatriá-los se estiverem de acordo.

O México concedeu refúgio a quase 23 mil estrangeiros entre janeiro e novembro de 2024, segundo números oficiais.

Nesta segunda, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou em um comunicado que a eliminação do CPB One é uma medida “irresponsável” que deixa os migrantes expostos a “maiores perigos” em uma rota onde a “violência é extrema”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo