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Médicos lutam para salvar opositor russo Navalny após possível envenenamento

Um dos maiores críticos do Kremlin seguia de avião de Tomsk para Moscou e começou a se sentir mal após um pouso de emergência

Créditos: MLADEN ANTONOV / AFP
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Médicos tentam salvar a vida do líder da oposição russa Alexei Navalny, internado nesta quinta-feira 20 na UTI de um hospital de Omsk, na Sibéria, após um possível envenenamento , segundo informações de sua equipe. Alemanha e França ofereceram “toda a ajuda médica” necessária. A chanceler alemã, Angela Merkel, se declarou “chocada” e o presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, disse se sentir “extremamente preocupado”. Ambos pediram “clareza” e transparência” sobre o estado de saúde do opositor.

Navalny, um dos maiores críticos do Kremlin, viajava de Tomsk, na Sibéria, a Moscou em um avião que precisou fazer um pouso de emergência quando o líder da oposição começou a se sentir mal.

“Os médicos estão fazendo tudo o que podem, eles estão realmente lutando para salvar sua vida”, disse Anatoli Kalinitshenko, vice-diretor do hospital de Omsk, onde o opositor foi internado na Unidade de Terapia Intensiva e colocado em um respirador. Segundo ele, a condição de saúde de Navalny é “estável” e disse ser cedo para confirmar se foi um envenenamento.

A porta-voz do ativista, Kira Yarmysh, que viajava com ele, disse à rádio Echo de Moscou que ele foi vítima de um “envenenamento intencional”. “Acreditamos que Alexei foi envenenado com algo misturado em seu chá. Essa foi a única coisa que ele bebeu pela manhã”, disse no Twitter. Segundo ela, Navalny parecia estar “totalmente bem” pela manhã em Tomsk, mas perdeu a consciência logo após a decolagem.

Navalny, um advogado de 44 anos cujas postagens sobre a corrupção das elites russas são amplamente acompanhadas nas redes sociais, já foi vítima de vários ataques físicos. Em 2017, ele sofreu queimaduras em um olho quando indivíduos jogaram um líquido desinfetante em seu rosto. Em julho de 2019, quando cumpria uma breve pena de prisão, também alegou ter sido “envenenado” com um “material químico desconhecido” e foi transferido para um hospital.  As autoridades afirmaram que se tratou de uma “reação alérgica” e não encontraram “nenhuma substância tóxica” em seu organismo.

‘Pronta recuperação’

Por meio de seu porta-voz Dmitri Peskov, o Kremlin desejou a Navalny “uma pronta recuperação”,”como a qualquer outro cidadão russo”. Também informou que pode cooperar com o traslado do opositor para o exterior. Mas ele deve ser levado para a Alemanha em um avião-ambulância com equipamento médico e especialistas oferecido pela organização Cinema for Peace – responsável por organizar uma operação similar em 2018 para uma das integrantes do grupo punk russo Pussy Riot.

Órgãos anticorrupção e ativistas pedem a abertura de uma investigação por tentativa de homicídio de uma pessoa pública.

Uma testemunha enviou pelas redes sociais uma foto de Navalny bebendo café em um copo plástico no aeroporto. Já a rede de TV Ren divulgou um vídeo mostrando o advogado sendo transferido em uma maca para uma ambulância.

Caravana pela Rússia

Navalny viaja atualmente por toda a Rússia para promover sua estratégia para as eleições regionais, que devem ocorrer em setembro. Ele já esteve em várias cidades para apoiar candidatos da oposição.”O partido no poder tem muito dinheiro, só podemos contar com a ajuda de pessoas boas e honestas”, declarou ele no Instagram nesta quarta-feira, junto com uma foto tirada na rua com jovens de Tomsk.

Navalny e seu Fundo de Combate à Corrupção (FBK), criado em 2012, são alvo de constantes perseguições das autoridades e enfrentam multas e buscas repetidas. Seus seguidores são frequentemente detidos.

Outros envenenamentos

Nos últimos anos, vários adversários do Kremlin foram envenenados, na Rússia ou no exterior.

Em março de 2018, um ex-agente duplo e sua filha, Serguei e Yulia Skripal, foram encontrados inconscientes em um banco em uma pequena cidade no sul da Inglaterra.

Londres acusou Moscou de estar por trás de um envenenamento com Novichok, um poderoso agente nervoso fabricado na era soviética, acusações que o Kremlin negou. Este caso provocou uma crise diplomática.

Em 2006, um ex-agente secreto russo no exílio, Alexander Litvinienko, morreu vítima de polônio-210.

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