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Massa x Milei: votação termina e Argentina aguarda os resultados; acompanhe a apuração

O peronista e o representante da ultradireita disputam o segundo turno da disputa pela Presidência

Sergio Massa e Javier Milei. Fotos: AFP PHOTO/UNIÓN POR LA PATRIA PARTY PRESS OFFICE - MAXIMILIANO VERNAZZA
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A votação para o segundo turno da eleição presidencial na Argentina terminou às 18h deste domingo 19. Estão na disputa o ministro da Economia, o peronista Sergio Massa (Unión por la Patria), e o ultradireitista Javier Milei (La Libertad Avanza).

A expectativa é que os primeiros resultados sejam divulgados por volta das 21h.

Massa votou na cidade de Tigre, seu reduto eleitoral, e Milei votou na capital do país, Buenos Aires.

Logo depois de registrar seu voto, Massa promoveu uma rápida coletiva de imprensa. Com a bandeira do país ao fundo, sustentou que hoje é “um dia histórico para a Argentina, depois de 40 anos de democracia”.

Segundo o presidenciável, “diálogos e consensos” são necessários para o que chamou de “uma nova etapa na Argentina”. Para ele, o país deverá percorrer “um caminho muito mais virtuoso no futuro”.

“Quero convidar todos os argentinos a viverem este dia com reflexão, com serenidade, pensando no futuro. Acima de tudo, com esperança”, frisou Massa.

Já Milei chegou ao local de votação sob forte segurança. Do lado de fora, apoiadores gritavam “liberdade” enquanto acompanhavam a votação do ultradireitista.

“Fizemos um enorme trabalho”, pontuou Milei, apesar do que chamou “de campanha do medo e toda a campanha suja que nos fizeram”. Segundo ele, “agora é o momento em que as pessoas se expressam nas urnas”.

Conheça os candidatos:

Sergio Massa:

Figura de destaque no governo de Alberto Fernández, o ministro da Economia deixou de lado o presidente, que apareceu poucas vezes na mídia durante a campanha.

Esta é a segunda vez que Massa concorre à Presidência (perdeu em 2015). Ele assumiu o cargo de ministro da Economia em um momento complicado, após as abruptas renúncias de seus antecessores Silvina Batakis e Martín Guzmán.

Aos 51 anos e adepto do diálogo, Massa fez acordos com empresários, sindicatos e o Fundo Monetário Internacional, mas não conseguiu controlar a inflação, a principal preocupação dos argentinos.

“A campanha de Massa foi boa”, disse a CartaCapital Ariel Goldstein, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires e pesquisador no Instituto de Estudos Latino-Americanos e do Caribe. “Massa tem um discurso propositivo, com planos para o crédito das famílias que, por exemplo, não têm acesso a uma casa, planos para a redução do preço do aluguel.”

Segundo o especialista, “Massa tem como principal desafio baixar a inflação, e ele pode encontrar essa chance com o acordo de unidade nacional que está promovendo”.

“Todo mundo atua na Argentina pensando que a inflação irá subir sempre. Se Massa conseguir fazer um acordo nacional, dando espaço no gabinete para figuras de outras forças políticas, será um caminho que pode dar certo.”

Em sua carreira política, Massa transformou amizades em inimizades e vice-versa, diversas vezes. Ele deu o salto para a política nacional em 2013, com o Frente Renovador, uma força dentro do peronismo que se apresentou como uma alternativa ao governo de Cristina Kirchner, de quem Massa foi chefe de gabinete e que hoje o apoia.

Em 2015, foi candidato à Presidência, mas ficou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição, vencida pelo neoliberal Mauricio Macri no segundo turno.

Antes de criar o Frente Renovador, foi prefeito da cidade de Tigre, nos arredores de Buenos Aires, pela aliança da então presidenta Cristian Kirchner, entre 2007 e 2008 e depois entre 2011 e 2015. Alguns anos depois, ele se distanciou da líder peronista, de quem voltou a se aproximar em 2019.

Massa nasceu e cresceu na periferia da província de Buenos Aires e começou no partido liberal UCEDÉ, no fim dos anos 1980. Em meados da década de 1990, voltou sua militância para o peronismo bonaerense com a ajuda das líderes políticas Cristina Camaño e Marcela Durrieu, sua sogra. Durrieu o apresentou à filha, Malena Galmarini, com quem se casou e teve dois filhos.

Javier Milei:

O economista ultradireitista chegou ao segundo turno defendendo “dinamitar” o Banco Central, cortar gastos públicos, reduzir ao mínimo o papel do Estado e acabar com a “casta política”.

Além disso, nega haver diferença salarial entre homens e mulheres e rejeita o consenso de 30 mil desaparecidos durante a brutal ditadura de 1976 a 1983.

Essa tática de confronto, contudo, não sobreviveu além do primeiro turno de 22 de outubro, no qual conquistou 30% dos votos. Massa, por sua vez, teve quase 37% e foi o mais votado.

Desde então, Milei buscou acordos. Ele tentou se apresentar de forma mais moderada para atrair os 23% de eleitores da macrista Patricia Bullrich e obter o endosso de Mauricio Macri.

Assim, o candidato de 53 anos não voltou a aparecer com uma motosserra nas mãos, reduziu suas participações públicas e as de seu círculo mais próximo, não falou mais em fechar ministérios e deixou de lado algumas declarações incendiárias, embora se mantenha firme em relação à dolarização da economia local.

Como “influencer”, Milei surgiu na televisão em 2015, protagonizando críticas econômicas furiosas em programas de opinião. Logo, seus comentários alimentaram as redes sociais e alcançaram jovens.

Ele trabalhou no setor privado até 2021, quando foi eleito deputado por La Libertad Avanza.

Segundo Loco, a biografia não autorizada escrita pelo jornalista Juan Luis González, Milei não aceita a morte de seu cachorro Conan e se refere a ele como um dos cinco cachorros/filhos que o acompanham.

Seus outros quatro mastins ingleses são clones de Conan nascidos de um procedimento nos Estados Unidos. O político se comunica com eles, os vivos e o morto, graças a supostas manifestações de uma “médium” especializada na “comunicação interespécies”.

Solteiro, sem filhos e com poucos amigos, levou recentemente a atriz e humorista Fátima Flórez, sua nova namorada, à televisão. Estudou Economia na Universidade de Belgrano e fez duas pós-graduações em instituições locais. Já publicou livros e foi acusado de plagiar parágrafos inteiros.

Segundo Ariel Goldstein, a democracia argentina corre riscos diante de uma eventual vitória de Milei e de sua vice, Victoria Villarruel, uma negacionista da ditadura no país.

“Villarruel tem um desejo de vingança muito forte por ser parte da casta militar da ditadura. A família dela é parte disso. E ela quer mudar a versão da história que a Argentina tem sobre a ditadura, a repressão, os assassinatos, a tortura”, alerta o pesquisador.

“Os consensos que estão na base da democracia argentina – tolerância, pluralismo, respeito à liberdade de expressão – estão em jogo. É um perigo grande. Acho que também existe o perigo de ela, se Milei chegar ao governo, fazer oportunamente uma jogada para ficar com a Presidência. Ela dá maior peso para esse projeto autoritário, militar e religioso.”

Assista à cobertura ao vivo da apuração na Televisión Pública, em espanhol:

(Com informações da AFP)

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