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Manifestantes bloqueiam estradas na Bolívia contra plano econômico do governo

Protestos pedem a revogação do decreto que eliminou os subsídios aos combustíveis, assinado em dezembro pelo presidente de centro-direita Rodrigo Paz

Manifestantes bloqueiam estradas na Bolívia contra plano econômico do governo
Manifestantes bloqueiam estradas na Bolívia contra plano econômico do governo
Manifestantes participam de um protesto convocado por sindicatos contra a eliminação dos subsídios de longa data aos combustíveis pelo governo em El Alto, Bolívia, em 5 de janeiro de 2026. Foto: Jorge BERNAL / AFP
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Várias estradas foram bloqueadas nesta terça-feira 6 na Bolívia em rejeição a um decreto do presidente de centro-direita Rodrigo Paz que eliminou os subsídios aos combustíveis, entre outras medidas, informou a agência estatal responsável pelas estradas no país.

Os manifestantes exigem a revogação do decreto, pois temem um aumento do custo de vida. O preço dos combustíveis dobrou e alguns produtos básicos também tiveram aumento nos mercados.

Desde a aprovação do decreto em dezembro, a Central Operária Boliviana (COB), o principal sindicato trabalhista do país, liderou os protestos de rua em La Paz, alguns dos quais derivaram em enfrentamentos com a tropa de choque da polícia.

Nos últimos dias, mais organizações aderiram ao movimento, como os campesinos e professores escolares, que alegam que o decreto favorece o grande capital privado na exploração dos recursos naturais, enquanto os setores populares carregarão o peso da inflação.

Na segunda-feira, o governo abriu um diálogo com os trabalhadores, mas estes abandonaram a reunião e convocaram seus seguidores a bloquear vias. Qualquer conversa, dizem, deve partir da anulação do decreto presidencial.

A agência responsável pelas estradas na Bolívia reportou nove pontos de bloqueio nas rodovias em La Paz (oeste), Pando (norte) e Potosí (sul).

Os manifestantes também alegam que o Poder Executivo teria usurpado funções do Congresso e que o decreto não foi discutido com os setores que seriam afetados.

A Bolívia atravessa sua pior crise econômica em quatro décadas devido a uma escassez de dólares.

A administração passada do esquerdista Luis Arce (2020-2025) esgotou as reservas de divisas para sustentar as subvenções à gasolina e ao diesel, que importava a preços internacionais e vendia com prejuízo no mercado interno.

A inflação em 12 meses registrada em dezembro foi de 20,4%, informou nesta terça o estatal Instituto Nacional de Estatística.

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