Mundo
Macron antecipa para 2027 meta de aumentar gasto militar na França
Macron defende que a Europa diminua dependência dos Estados Unidos
O presidente francês, Emmanuel Macron, antecipou neste domingo (13) para 2027 sua meta de dobrar os gastos militares inicialmente previstos para 2030, ao constatar que a liberdade nunca esteve “tão ameaçada” desde 1945.
Em um discurso diante das Forças Armadas em Paris, na véspera da festa nacional de 14 de Julho, Macron traçou um panorama sombrio do mundo, onde “a lei do mais forte [é a] que prevalece”.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, “nunca antes a paz em nosso continente dependeu tanto de nossas decisões atuais”, acrescentou o chefe de Estado.
O presidente citou como exemplo os “imperialismos e as potências de anexação”, como a Rússia, que desencadeou uma guerra em fevereiro de 2022 com a invasão de sua vizinha e ex-república soviética Ucrânia.
Para enfrentar esse mundo, Macron defende que a Europa dependa menos de seu aliado histórico, os Estados Unidos, e possa consolidar sua autonomia em matéria de defesa, ainda que dentro da Otan.
Os países da Otan se comprometeram, em sua recente cúpula em Haia, a destinar 5% de seu PIB nacional à Defesa até 2035: 3,5% em gasto militar estrito e 1,5% em segurança em sentido amplo.
Na França, sua Lei de Programação Militar prevê 413 bilhões de euros (480 bilhões de dólares) para as Forças Armadas entre 2024 e 2030, para atingir 67,4 bilhões de euros em 2030.
Mas Macron anunciou neste domingo que revisará essa lei para alcançar já em 2027 um gasto militar de 64 bilhões de euros, ou seja, o dobro do que havia quando chegou ao poder em 2017.
Isso implicaria aumentar a parte da Defesa nos orçamentos em mais de 6 bilhões de euros entre 2026 e 2027, em um contexto de déficit público elevado (5,8% do PIB) e dívida pública (114% do PIB).
O primeiro-ministro François Bayrou deve apresentar na terça-feira as grandes linhas do orçamento para 2026, com a meta, já anunciada, de 40 bilhões de euros (46,8 bilhões de dólares) em cortes.
Impulsionadas pelo presidente americano, Donald Trump, as grandes potências europeias preveem um aumento nos gastos militares. A Alemanha espera atingir 162 bilhões de euros em 2029.
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