Lula, Dilma e líderes estrangeiros condenam bloqueios a Cuba e Venezuela

Repúdio ocorre após reunião do Grupo de Puebla, que tem como membros o presidente argentino Alberto Fernández e líderes de outros países

O ex-presidente Lula participou de reunião com o presidente argentino Alberto Fernández e demais líderes estrangeiros. Foto: Grupo de Puebla

O ex-presidente Lula participou de reunião com o presidente argentino Alberto Fernández e demais líderes estrangeiros. Foto: Grupo de Puebla

Mundo,Saúde

Mais de 40 líderes que compõem o Grupo de Puebla manifestaram repúdio ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba e Venezuela. A organização finalizou um documento após reunião por videoconferência em que debateram o tema, na sexta-feira 10.

Criado em 2019, o bloco reúne o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e mais dez ex-presidentes, como Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Ernesto Samper (Colômbia), Martin Torrijos (Panamá), Leonel Fernández (República Dominicana), Fernando Lugo (Paraguai) e José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha).

Para o grupo, os Estados Unidos contrariam princípios humanitários ao manter sanções econômicas a Cuba e Venezuela, em plena pandemia do novo coronavírus.

As penalidades dos EUA a Cuba começaram na década de 1960, após o sucesso da Revolução Cubana com Fidel Castro contra a ditadura de Fulgêncio Batista. As relações entre os dois países foram rompidas por Washington após a ilha caribenha estatizar propriedades norte-americanas.

Em 2015, o governo de Barack Obama reatou as relações com o país, mas o presidente Donald Trump reaplicou as penalidades quando chegou ao poder. A Casa Branca impede que empresas cubanas façam transações com firmas de outras nações, o que já desencadeou, por exemplo, o desabastecimento de combustíveis.

No caso da Venezuela, Obama impôs sanções contra o governo de Nicolás Maduro em 2015, colocando o país sul-americano como “ameaça à segurança nacional”. No governo Trump, as ações se intensificaram. Em 2019, por exemplo, o presidente americano proibiu transações com país e congelou bens do governo venezuelano nos EUA.

Na prática, empresas deixam de vender ou comprar da Venezuela por medo de serem multadas. Num país que importa cerca de 80% do que consome, a ação provoca a falta de produtos, como peças de máquinas e remédios.

Na reunião com o Grupo de Puebla, Lula cobrou a pressão de entidades multilaterais para ajudar os países mais pobres a enfrentar a pandemia. Foi a primeira participação do petista em um fórum da organização. No último encontro, ele havia acabado de sair da prisão e enviou um vídeo.

“O mundo mentiroso do Trump não serve”, afirmou o ex-presidente brasileiro. “Nós temos que dizer, em alto e bom som, que nós não aceitamos mais os Estados Unidos fazer bloqueio unilateral contra qualquer país. Eles não têm o direito. Eles têm que respeitar as decisões do Conselho de Segurança da ONU. Eles não podem, nesse momento, achar que têm o direito de bloquear Cuba, Venezuela, Irã e Síria.”

Fernández, único presidente em exercício na reunião, afirmou que “ninguém se salva sozinho” e confrontou o discurso do presidente Jair Bolsonaro, que insiste em defender o fim do isolamento para resguardar a economia.

“Entre a economia e a saúde das pessoas, escolhi a saúde. Uma economia que cai 11% pode subir novamente. Um homem ou uma mulher que morre, não”, disse o dirigente argentino.

Na ocasião, os líderes pregaram ainda o perdão da dívida dos países da América Latina com organismos de crédito internacional, em função da prioridade dos investimentos públicos.

O Grupo de Puebla também registrou sua admiração pelo esforço do governo cubano em enviar equipes de médicos para outros países. Entre as nações que receberam a solidariedade de Cuba, estão Itália, Nicarágua, Suriname e Venezuela. Segundo a emissora Telesur, cerca de 40 países solicitaram ajuda médica da ilha caribenha para lutar contra a covid-19.

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Repórter do site de CartaCapital

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