Líder da direita radical se une a coalizão e precipita fim da era Netanyahu em Israel

Oposição acredita que o suposto julgamento de corrupção do primeiro-ministro requer uma mudança no governo

Foto: YONATAN SINDEL / POOL / AFP

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Mundo

Todos os olhos estavam voltados neste domingo 30 para o líder da direita radical nacionalista, Naftali Bennett, que finalmente anunciou apoio ao centrista Yair Lapid e ao projeto de um “governo de mudança”, que deve precipitar o fim da era Netanyahu em Israel, segundo análises da imprensa israelense.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu havia lançado mais cedo neste domingo 30 uma tentativa desesperada para tentar dissuadir seus oponentes de concluir um acordo que pode ejetá-lo do poder em Israel, fato que já era apresentado como iminente pela imprensa israelense. Mas a tentativa fracassou quando o líder da direita radical nacionalista, Naftali Bennett, aceitou a coalizão proposta pelo centrista Yair Lapid no começo da noite.

“Anuncio que farei de tudo para formar um governo de unidade com meu amigo Yaïr Lapid”, declarou Bennett, que durante várias semanas cultivou o mistério sobre sua intenção de se juntar ou não ao líder da oposição que tenta formar um “governo de unidade nacional “para encerrar o reinado de Netanyahu, o mais longo da história do Estado de Israel.

Lapid tem até quarta-feira para tentar formar um governo de coalizão. Uma batalha já foi vencida, ele conseguiu um acordo com a esquerda e a direita radical, liderada pelo partido Yamina de Naftali Bennett. O nacionalista Naftali Bennett, 49, se dizia mais cedo neste domingo pronto a aceitar a proposta de Yair Lapid para formar o que a oposição chama de “governo de mudança”, e cumpriu a promessa antes do esperado.

Na ausência de uma maioria clara ao final das eleições de 23 de março, a coalizão desejada por Yair Lapid seria particularmente frágil e, para poder governar, precisaria do apoio de autoridades eleitas árabes israelenses, que são pólos políticos exteriores ao partido de Naftali Bennett.

 

Poder “rotativo” era a aposta de Netanyahu para evitar sua queda

Para inviabilizar esta iniciativa, o atual premiê israelense Benjamin Netanyahu havia proposto neste domingo o estabelecimento de um governo de direita com uma rotação tripla do cargo de primeiro-ministro durante o mandato.

De acordo com esse projeto de acordo de coalizão, o líder do partido New Horizon e desertor do Likud, Gideon Saar, assumiria o chefe do governo por 15 meses, antes de dar lugar a Benjamin Netanyahu por dois anos, e ele próprio passaria o poder para Naftali Bennett, “até o final do mandato”.

“Estamos em um momento decisivo para a segurança de Israel, sua identidade e seu futuro, quando as considerações pessoais devem ser deixadas de lado e medidas de longo alcance devem ser tomadas”, disse Netanyahu em um comunicado filmado.

A proposta do veterano da política israelense de 71 anos, que está no poder há 12, foi imediatamente rejeitada por Gideon Saar.

Os oponentes de Benjamin Netanyahu, inclusive em seu próprio campo, acreditam que o suposto julgamento de corrupção do primeiro-ministro requer uma mudança no governo de Israel.

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