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Libaneses retornam para casas destruídas após anúncio de trégua

Cerca de 20% da população do país teve de deixar suas casas em meio aos ataques de Israel

Libaneses retornam para casas destruídas após anúncio de trégua
Libaneses retornam para casas destruídas após anúncio de trégua
Famílias retornam para bairros destruídos no Líbano durante cessar-fogo – foto: Fadel Itani/AFP
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Muitos moradores do sul do Líbano e dos subúrbios de Beirute retornavam nesta sexta-feira 17 para suas casas, devastadas pela guerra entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, após a entrada em vigor de um cessar-fogo de 10 dias.

A trégua anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que começou à meia-noite local nos dois países (18h de Brasília de quinta-feira), era uma das condições do Irã para prosseguir com as negociações com os Estados Unidos visando um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio.

O conflito começou quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O Líbano foi envolvido quando o grupo Hezbollah lançou foguetes contra o território israelense em 2 de março, uma frente de batalha que provocou mais de 2.200 mortes do lado libanês, segundo o Ministério da Saúde.

Na manhã de sexta-feira, um engarrafamento gigantesco era observado diante da ponte de Qasmiyeh, que liga a região de Tiro, no sul do Líbano, ao restante do país.

A ponte sofreu danos na quinta-feira devido aos ataques israelenses, mas o Exército fez os reparos necessários para permitir o tráfego.

“Por sorte, estamos voltando para casa e saímos vitoriosos, apesar dos bombardeios”, declarou Mohammad Abou Raya, de 35 anos. “Mesmo que não consigamos recuperar nossas casas, o importante é voltar para a nossa terra”, acrescentou à AFP o pai de três filhos.

A população ignorou as advertências do Exército israelense, que pediu aos moradores que não retornassem para a zona ao sul do rio Litani e mantém a ocupação da área de fronteira.

Dimensão dos danos

Nos subúrbios do sul de Beirute, que sofreram intensos bombardeios de Israel, os moradores retornam para verificar a dimensão dos danos.

“Seguimos todos os dias para um lugar diferente, porque não encontramos vaga no abrigo”, conta Insaf Ezzeddine, que retornou à capital com o marido e a filha.

“Nossa casa sofreu graves danos pelos bombardeios, mas, graças a Deus, anunciaram o cessar-fogo e espero que a guerra termine”, acrescentou a mulher de 42 anos.

Até a noite de quinta-feira, o Hezbollah reivindicou ataques contra o norte de Israel e contra o Exército israelense em território libanês.

E poucos minutos antes do início do cessar-fogo entrar em vigor, ataques israelenses mataram pelo menos 13 pessoas em Tiro, no sul do Líbano, informaram as autoridades locais à AFP.

O Exército libanês mencionou “uma série de violações do acordo” de trégua e também pediu às pessoas deslocadas pelos combates que não retornassem imediatamente ao sul do país.

Segundo a ONU, um milhão de pessoas – ou seja, 20% da população do país – foram deslocadas pelo conflito.

Após anunciar o cessar-fogo, Trump afirmou que tenta organizar a primeira reunião na Casa Branca entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O governante israelense declarou que o acordo de trégua é uma oportunidade de “paz histórica” com Beirute, ao mesmo tempo que reiterou a exigência de desarmamento do Hezbollah como condição prévia.

O movimento libanês afirmou nesta sexta-feira, em um comunicado, que seus “combatentes manterão o dedo no gatilho” em caso de violação do cessar-fogo por parte de Israel.

Conferência sobre Ormuz

Ao mesmo tempo, prosseguem os esforços – com a mediação do Paquistão – para organizar uma segunda rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, com o objetivo de acabar com a guerra, após o fracasso da primeira sessão de conversações organizada em Islamabad no fim de semana passado.

Trump declarou na quinta-feira que Estados Unidos e Irã estão “muito próximos” de um acordo. Ele afirmou que Teerã aceitou entregar seu urânio enriquecido, uma das principais exigências de Washington, mas a informação não foi confirmada pelo governo iraniano.

Por sua vez, a Turquia organiza, a partir desta sexta-feira, um fórum diplomático na cidade de Antália, no sul do país, que terá a presença do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

O fórum deve possibilitar uma reunião entre os chanceleres da Turquia, Egito, Paquistão e Arábia Saudita sobre “os problemas regionais”, em particular a guerra, segundo uma fonte do Ministério das Relações Exteriores turco.

As tensões entre Estados Unidos e Irã, que mantêm um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril e que termina na próxima semana, se concentram principalmente no Estreito de Ormuz.

O Irã persiste com o fechamento do estreito, uma rota crucial para o transporte de combustíveis, e Washington impõe, desde segunda-feira, um bloqueio a navios que saem de ou se dirigem aos portos iranianos.

França e Reino Unido organizarão nesta sexta-feira uma conferência em Paris, com quase 30 participantes, para garantir a segurança da navegação no estreito.

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