Mundo
Justiça mexicana declara outra lei que criminaliza o aborto inconstitucional
Essa decisão também estabelece jurisprudência e abre as portas para que as mulheres tenham acesso a um aborto seguro e legal
A Suprema Corte do México declarou nesta quinta-feira (9) inconstitucional uma lei estadual que consagrava a vida desde a concepção e por meio da qual o aborto era equiparado a um assassinato.
Essa decisão se soma a outra histórica da última terça-feira, quando foi declarado contrário à constituição criminalizar as mulheres que abortam.
A mais alta corte mexicana debateu nesta quinta-feira sobre uma decisão legal do estado de Sinaloa (norte), que, ao ser declarada inconstitucional por mais de oito votos, estabeleceu jurisprudência e permitirá, por meio de um recurso de amparo, invalidar leis semelhantes em outros estados.
“Não cabe a nenhuma legislatura local ou a este plenário fixar a origem da vida humana, especialmente na ausência de consenso científico”, declarou durante o debate Alfredo Gutiérrez Ortiz Mena, o ministro que elaborou o projeto, que recebeu o voto unânime dos onze juízes da corte.
Depois que a Cidade do México descriminalizou o aborto antes de 12 semanas em 2007, as legislaturas de pelo menos 10 dos 32 estados que compõem o país aprovaram projetos de lei que estabelecem a obrigação das autoridades de proteger a vida desde o momento da concepção.
Após a aprovação dessas leis, conforme explicado na época pelo constitucionalista e ex-ministro da Justiça Diego Valadés, o feto é considerado “nascido para todos os efeitos legais” e isso equivaleria ao aborto “com infanticídio”.
O México tem um sistema federado no qual os estados estabelecem suas próprias leis, que, entretanto, podem ser anuladas por decisões da Suprema Corte, que estabelece jurisprudência.
Na terça-feira, a Suprema Corte mexicana declarou inconstitucional lei do estado de Coahuila (norte) que punia com até três anos de prisão mulheres que abortaram e quem facilitou o procedimento.
Essa decisão também estabelece jurisprudência e abre as portas para que as mulheres tenham acesso a um aborto seguro e legal nos estados onde o procedimento é proibido.
Oaxaca (sul), Veracruz (leste) e Hidalgo (centro) são outros estados que descriminalizaram o aborto.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.


