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Justiça francesa condena assediadores de Brigitte Macron a até 6 meses de prisão

Os condenados também estão proibidos de usar as redes sociais durante seis meses

Justiça francesa condena assediadores de Brigitte Macron a até 6 meses de prisão
Justiça francesa condena assediadores de Brigitte Macron a até 6 meses de prisão
A primeira-dama da França Brigitte Macron foi alvo de assédio virtual. Agressores foram condenados. Foto: Ludovic MARIN / POOL / AFP
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A Justiça francesa impôs, nesta segunda-feira 5, até seis meses de prisão a assediadores nas redes sociais de Brigitte Macron, esposa do presidente francês, por afirmarem em termos “depreciativos” que ela seria um homem, boatos que correram o mundo.

Emmanuel Macron, de 48 anos, e sua esposa, de 72 anos, conheceram-se quando ela lecionava artes cênicas em seu liceu e, nos últimos anos, decidiram combater judicialmente, na França e nos Estados Unidos, notícias falsas sobre sua relação.

O último caso na França remonta a 2024, quando Brigitte Macron denunciou à Justiça que os rumores sobre sua suposta transexualidade afetaram seu entorno e a ela própria, explicando que seus netos ouviram que “sua avó é um homem”.

Um tribunal de Paris condenou oito pessoas a penas entre 4 e 8 meses de prisão com suspensão da pena por sua “vontade de prejudicar a demandante” em termos “depreciativos” sobre seu sexo e sua “suposta pedofilia”, disse seu presidente, Thierry Donnard.

Um nono acusado, ausente da audiência, foi condenado a seis meses de prisão. E ao último das 10 pessoas julgadas foi imposto o cumprimento de um curso de prevenção contra o ódio online.

As informações falsas começaram com a eleição de Macron em 2017 e viralizaram, especialmente nos Estados Unidos, impulsionadas pela podcaster de extrema direita Candace Owens, próxima ao movimento trumpista MAGA.

“Eu luto constantemente. Quero ajudar os adolescentes a combater o assédio. Mas se eu não (…) der o exemplo, vai ser difícil”, afirmou Brigitte Macron no domingo.

“Suspensão das contas”

Os réus considerados mais influentes receberam as penas mais altas, porém com suspensão de cumprimento em estabelecimento fechado: oito meses para o escritor Aurélien Poirson-Atlan, conhecido como Zoé Sagan nas redes sociais, e seis para a médium Amandine Roy e o galerista Bertrand Scholler.

Também estão proibidos de usar as redes sociais durante seis meses.

“O importante são os cursos de prevenção e a suspensão das contas” de alguns dos autores, estimou Jean Ennochi, advogado de Brigitte Macron, após a divulgação da decisão.

Todos os condenados, entre 41 e 65 anos, deverão frequentar um curso de conscientização sobre o “respeito às pessoas no espaço digital” e pagar uma multa solidária de 10 mil euros (63.490 reais).

Durante o julgamento, a maioria dos réus expressou indignação por ter de justificar comentários “satíricos” e invocou a liberdade de expressão ou o direito de informar uma verdade, em sua opinião, “escondida”.

Perante uma sala lotada, a filha da vítima, Tiphaine Auzière, descreveu o impacto dessa desinformação mundial na saúde da mãe, “permanentemente em alerta” face à contestação constante da sua “identidade”.

O questionamento do sexo biológico de esposas de mandatários ou de ex-primeiras-ministras é uma tática de desinformação frequentemente usada nas redes sociais para desgastar lideranças políticas.

A ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama e Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, foram alvos desse tipo de boato.

A Justiça francesa chegou a condenar Roy, em 2024, por difamar Brigitte Macron, ao afirmar que ela nunca existiu e que na realidade é seu irmão Jean-Michel Trogneux após mudar de sexo, mas foi absolvida em recurso. Os autores do processo recorreram da absolvição.

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