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Justiça da Bolívia convoca Evo Morales para julgamento

O líder indígena, de 66 anos, está desde outubro de 2024 refugiado na região cocaleira do Chapare, seu reduto político

Justiça da Bolívia convoca Evo Morales para julgamento
Justiça da Bolívia convoca Evo Morales para julgamento
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales. Foto: AIZAR RALDES/AFP
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Um tribunal da Bolívia convocou o ex-presidente Evo Morales para comparecer a um julgamento a partir da próxima segunda-feira 11, acusado de tráfico de uma menor, embora a diligência possa ser frustrada depois que seus advogados afirmaram não terem sido notificados.

Segundo a Promotoria, Morales teve em 2015 uma relação com uma menor de 15 anos com a qual teve uma filha, durante seu último período presidencial. Os pais, de acordo com a acusação, teriam consentido os fatos em troca de alguns benefícios.

“A audiência contra o ex-presidente Evo Morales (…) está confirmada para começar na segunda-feira (…) de forma presencial”, disse nesta sexta-feira 8 em entrevista coletiva o juiz Luis Ortiz Flores, máxima autoridade judicial de Tarija, departamento do sul do país onde ocorrerá a diligência.

No entanto, Wilfredo Chávez, advogado do ex-mandatário, assegurou que nem seu cliente nem seus defensores comparecerão. “Não podemos comparecer porque não fomos notificados”, disse à AFP.

De acordo com Chávez, o tribunal não enviou a convocação ao domicílio de Morales, mas o chamou por meio de um edital, uma publicação oficial em meios escritos.

O líder indígena, de 66 anos, encontra-se desde outubro de 2024 refugiado na região cocaleira do Chapare, seu reduto político, para evitar uma ordem de prisão.

Milhares de camponeses montam guardas, armados com lanças, para impedir que a polícia entre na região.

Em janeiro de 2025, após não comparecer para depor em uma audiência durante a fase de investigação, o Poder Judiciário o declarou rebelde, uma condição que impede o arquivamento do processo enquanto ele não comparecer.

Mas essa mesma condição poderia suspender o início do julgamento. Segundo Ortiz, só é possível iniciar julgamentos na ausência do acusado em casos de corrupção.

“Nesse caso, já cabe ao tribunal (responsável pela audiência) analisar essa situação”, disse o juiz à imprensa.

É algo que os próprios advogados de Morales argumentam. “A Convenção Interamericana (de Direitos Humanos) exige a presença da pessoa para ser ouvida (…), estar diante de seus juízes e apresentar meios de defesa”, afirmou Chávez.

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