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Justiça argentina processa ex-presidente Alberto Fernández por suspeita de corrupção
Denúncia tem como base decreto de 2021 que teria beneficiado operadores ligados ao ex-presidente
A Justiça da Argentina processou nesta quinta-feira 10 o ex-presidente Alberto Fernández (2019-2023) no âmbito de um caso que investiga a contratação irregular de seguros para órgãos públicos durante a sua gestão.
“O [juiz Sebastián] Casanello acaba de decidir pelo indiciamento de Fernández”, disse à AFP Mariana Barbitta, advogada do ex-governante. Fernández está sendo processado pelo “delito de negociações incompatíveis com o exercício da função pública”, diz um trecho da decisão citado pela imprensa argentina.
O magistrado também determinou o embargo “de bens e dinheiro […] no montante de 14,634 bilhões de pesos”, cerca de 64 milhões de reais no câmbio oficial, segundo a decisão.
O caso envolve supostas contratações de seguros para distintos órgãos do Estado através de um intermediário que recebia comissões, quando estas podiam ser feitas de forma direta pela gestão.
Segundo um decreto firmado pelo próprio Fernández, os seguros do Estado eram cobertos pela seguradora do estatal Banco Nación. O corretor de seguros era o esposo da ex-secretária pessoal de Fernández e as provas usadas pela acusação vieram do telefone celular dela.
Mas, para a advogada Barbitta, “não há delito, não há superfaturamento nem direcionamento. O que houve foi uma clara tentativa de instalar suspeitas sem fundamento”, segundo ela afirmou em uma entrevista à emissora Fénix 951 na sexta-feira.
Durante a perícia do telefone da ex-secretária de Fernández, vieram à tona depoimentos e imagens que resultaram na denúncia por violência de gênero feita contra o ex-presidente por sua ex-parceira e mãe de um de seus filhos, Fabiola Yáñez.
Por esse caso, Fernández será julgado pelos crimes de “lesões graves” e “ameaças coercitivas”.
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