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João Braz Avis se filia aos reformistas; contra o grupo de D. Odilo

O brasileiro falou que as informações que a Cúria passava aos cardeais eram sempre insuficientes. Referia-se ao Vatileaks

João Braz Avis se filia aos reformistas; contra o grupo de D. Odilo
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De Roma

Durante o pré-conclave, os vaticanistas eram informados por torpedos eletrônicos (SMS) enviados pelos cardeais. Para o padre Lombardi, acabou esse tipo de “fuga de notícia”, pois no Conclave ninguém entra com equipamentos eletrônicos. Não sei informar se já existem terços eletrônicos, ou melhor, chip nas contas do Santo Rosário.

Durante o pré-conclave, — no qual a política corre solta–, 133 cardeais falaram: do evento participam os maiores de 80 anos. Basta ter o título de cardeal para participar dessa fase.

Nas manifestações, o destaque ficou por conta do arcebispo brasileiro João Braz Avis. Ele criticou duramente a Cúria que foi, no pontificado de Bento XVI, dirigida por Bertone (atual camerlengo).

O purpurado brasileiro falou que as informações que a Cúria passava aos cardeais eram sempre insuficientes. (Para bom entendedor, referia-se ao Vatileaks).  João Braz Avis frisou não ter a Cúria mostrado competência para resolver questões financeiras (referia-se ao IOR, conhecido por Banco do Papa) e internas, que, traduzindo, significa lutas internas pelo poder.

A manifestação não fez João Braz Avis se tornar papável, embora ele pertença ao movimento religioso Focolare, que optou, e faz forte lobby, pelo cardeal italiano Gianfranco Ravasi (biblista e hebraísta, é do Conselho de Cultura da Igreja).

Bem e estão aí os SMS a provar, João Braz Avis foi ovacionado. Cardeais fizeram fila para “tapinhas nas costas” e cumprimentos. Nada de abraços, pois cardeais sabem bem o que isso significa. Com efeito, ficou claro que João Braz Avis se filiou aos reformistas, contra os da Cúria (anticuriais). Assim, ele está contra Odilo Pedro Scherer, que é o candidato dos chamados “curiais”, ou seja, o grupo da Cúria de Bertone, cujo beijo no anel Ratzinger recusou na sua última missa.

No domingo, no período da manhã, cada cardeal foi à sua paróquia em Roma e celebrou missa. (Melhor colocando, basta ser cardeal para virar titular honorário de uma paróquia romana). Articulações e almoços continuaram no período vespertino. O destaque foi o almoço entre Scola e o cardeal de Viena, visto como acerto, pois o cardeal de Viena, pela linha dura e primeiro a exigir transparência e punições a padres pedófilos, tem o seu eleitorado.

O destaque humorístico do dia: um cardeal norte-americano falou que, para evitar comentários sobre voto na própria pessoa, faria opção por Angelo Scola. O cardeal Scola agradeceu e disse que votaria no americano. É como Lula falar que iria votar no FHC. E FHC em Lula.

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