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Itamaraty esvazia embaixada brasileira na Síria e diplomata ficará no Líbano para monitorar desdobramento
No último domingo 8, grupos rebeldes tomaram o poder e derrubaram o presidente Bashar al-Assad
O Itamaraty esvaziou a embaixada brasileira na Síria após a derrubada do presidente Bashar al-Assad por grupos rebeldes no último domingo 8.
Antes do evento, a chancelaria emitiu um alerta circular para os brasileiros residentes no país — cerca de 3,5 mil pessoas — sugerindo que saíssem do território.
A recomendação no momento é que eles deixem o país por meios próprios. O aeroporto de Damasco, capital da Síria, permanece aberto, apesar de operar com restrições. Para aqueles que pretendem permanecer, o aviso é para que adotem medidas de segurança e evitem áreas arriscadas.
Na prática, o edifício da embaixada do Brasil permanecerá aberto, mas o esvaziamento decorre do fato de não ser possível garantir a segurança do prédio e dos funcionários.
O esvaziamento não é isolado: além do Brasil, países da Europa fizeram o mesmo com seus locais de representação na Síria.
Em conversa com CartaCapital, fontes do Itamaraty relataram que o clima de desordem generalizada contribuiu para a medida.
Quem também deixou Damasco foi o embaixador brasileiro André Luiz Azevedo dos Santos. O diplomata, que chefia a representação desde 2022, foi encaminhado ao Líbano, de onde deverá acompanhar os desdobramentos da mudança de poder.
A ideia do Itamaraty é que o embaixador retorne à capital da Síria após o governo transitório assumir o país — caso haja restabelecimento da ordem.
Não se sabe, ainda, como e quando isso poderá acontecer. A queda de Assad foi articulada pelo principal grupo rebelde da Síria, o Hayat Tahrir-al Shams (HTS), mas a configuração da nova ordem política dependerá de como as diferentes forças de oposição se acertarão. A disputa é marcada por embates de natureza religiosa e territorial.
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