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Itália permite desembarque de migrantes menores em Lampedusa

A contragosto, ministro Salvini permitiu que 27 de 134 refugiados descessem à terra, após mais de duas semanas a bordo do Open Arms

Os 27 menores de idade desacompanhados que estavam entre os 134 migrantes resgatados a bordo do Open Arms chegaram no sábado 17 ao píer do porto da ilha de Lampedusa, no Mar Mediterrâneo, em duas lanchas da Guarda Litorânea e da Guarda de Finanças da Itália, pisando terra firme após 16 dias no navio humanitário espanhol. A operação foi supervisionada por Salvatore Vella, procurador adjunto da cidade siciliana de Agrigento.

O ministro do Interior Matteo Salvini autorizou o desembarque dos menores desacompanhados, acatando a solicitação do primeiro-ministro, Giuseppe Conte. O chefe de pasta populista de direita, encarregado de permitir desembarques em portos italianos, aceitou de má vontade a ação:

“Como outro exemplo de parceria leal, tomarei medidas para que não haja obstáculos à execução desta ordem”, declarou Salvini, ressalvando que sua posição sobre o assunto não mudou, e criticando que, “enquanto Madri não movimenta um músculo, as pressões se multiplicam sobre a Itália”.

Após receber autorização para o desembarque, a ONG espanhola Open Arms pediu mais tempo para poder comunicar as notícias ao demais migrantes a bordo, “a fim de garantir o equilíbrio e a serenidade de todos”, em meio à tensão cada vez maior no navio.

Uma vez concluído o desembarque dos menores, a Polícia Judiciária e dois médicos do Ministério da Saúde realizarão uma inspeção das condições de higiene e saúde, ordenada pela Procuradoria de Agrigento. Há dois dias o navio Open Arms está ao largo da ilha de Lampedusa, no Mar Mediterrâneo. O fundador da organização, Oscar Camps, pediu para que a Itália permita o desembarque dos migrantes, já que a ONG não pode mais garantir a segurança a bordo e teme um motim.

Segundo ele, tanto os resgatados como a tripulação estão “sequestrados”. Camps apelou também ao presidente interino do governo espanhol, Pedro Sánchez, para que “proteja os direitos dos cidadãos espanhóis que estão encarregados da segurança dos ocupantes de uma embarcação com bandeira espanhola, que está sequestrada em águas italianas”.

Também neste sábado, a Guarda Costeira líbia informou ter interceptado, na última terça-feira, no litoral próximo à capital Trípoli, quatro barcos com 278 migrantes, entre os quais 18 mulheres e duas crianças, navegando rumo à Europa. Na Líbia reina o caos desde o levante que derrubou o ditador Muammar Kadafi, em 2011.

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