Mundo
Israel manifesta ‘preocupações’ aos EUA sobre planos para Gaza
Segundo o gabinete de Netanyahu, o plano anunciado por Trump não representa as visões de seu governo
Israel transmitiu suas preocupações aos Estados Unidos sobre um plano para Gaza promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, depois que o Hamas anunciou que aceitou o desarmamento, informou nesta segunda-feira 3 o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Israel transmitiu suas observações e preocupações sobre o plano proposto às nossas contrapartes americanas. A versão que foi tornada pública não reflete as posições de Israel”, declarou Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, em resposta à AFP.
Spielman afirmou que os serviços de inteligência israelenses detectaram que o Hamas está se rearmando e recrutando desde o cessar-fogo anunciado por Trump em outubro de 2025.
O acordo de trégua teve como consequência uma diminuição da intensidade dos combates e dos bombardeios, mas Israel prosseguiu com os ataques, alegando que visa os combatentes do Hamas ou suas infraestruturas, algo que fontes em Gaza questionam de forma reiterada.
O movimento islamista Hamas anunciou na sexta-feira que aceitou um acordo para encerrar a guerra em Gaza que inclui seu desarmamento e a retirada gradual do Exército israelense do território palestino.
Trump chamou o avanço de “marco importante” nos esforços para dar fim à devastadora guerra desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Ele afirmou à imprensa que Israel estava “muito satisfeito” com a evolução.
Mas o porta-voz de Netanyahu afirmou que as ações do Hamas demonstram que o grupo se preparava para “novos massacres do tipo de 7 de outubro”, ao destacar que o plano publicado pelo “Conselho de Paz” de Trump previa que Gaza se tornasse “uma zona desmilitarizada, desradicalizada, livre do terrorismo e que não representasse nenhuma ameaça para seus vizinhos”.
“Esta visão entra em contradição direta com a realidade atual e com as intenções declaradas do Hamas. O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas”, declarou.
“Qualquer medida que não conduza a uma desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel”.
Uma fonte política israelense declarou no fim de semana que o país, que continua controlando a maior parte da Faixa de Gaza, não retiraria suas forças no âmbito do plano sem verificar o desarmamento do movimento islamista palestino.
Israel prosseguiu com os bombardeios após o anúncio do Hamas. As equipes de emergência e o Ministério da Saúde em Gaza informaram no domingo que pelo menos 13 pessoas morreram em ataques israelenses.
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