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Israel anuncia reabertura limitada da passagem de fronteira de Rafah

O posto é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel

Israel anuncia reabertura limitada da passagem de fronteira de Rafah
Israel anuncia reabertura limitada da passagem de fronteira de Rafah
Uma coluna de fumaça em Rafah, último refúgio palestino na Faixa de Gaza. Foto: AFP
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Israel anunciou, nesta sexta-feira 30, que a passagem de fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, será reaberta no domingo 1º para permitir a passagem limitada e controlada de pessoas.

Este posto é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel. Está localizado na área controlada pelo Exército israelense desde sua retirada no início do cessar-fogo, que entrou em vigor em 10 de outubro, após mais de dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas.

“Em conformidade com o acordo de cessar-fogo e a diretriz política, a passagem de Rafah será aberta neste domingo em ambos os sentidos, permitindo apenas a circulação de pessoas”, afirmou em comunicado o Cogat, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.

“A entrada e a saída da Faixa de Gaza pela passagem de Rafah serão autorizadas em coordenação com o Egito”, sujeitas à prévia autorização de segurança de Israel, “e sob a supervisão da missão da UE”, acrescentou o Cogat.

Apenas os palestinos “que deixaram Gaza durante a guerra” poderão retornar, especificou o comunicado.

A missão da UE será responsável pela identificação e triagem na passagem de Rafah, e o aparato de segurança israelense completará o monitoramento em um corredor localizado “em uma área sob controle” do exército, afirmou a organização.

Pedem passagem de ‘material humanitário’

A ONU manifestou a expectativa de que haja uma abertura para o trânsito de mercadorias, “essencial para aumentar o volume de material humanitário que entra em Gaza”, segundo Farhan Haq, porta-voz do secretário-geral, António Guterres.

A presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, apelou nesta sexta-feira, em um comunicado, para que se “melhore urgentemente a dramática situação humanitária em Gaza”.

O anúncio de Israel está longe de satisfazer as demandas do Hamas e da ONU.

Uma dezena de países, entre eles França, Canadá e Reino Unido, instaram na quarta-feira Israel a permitir a entrada “sem entraves” de ajuda humanitária em Gaza.

A reabertura de Rafah também deve permitir a chegada dos membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), encarregado de administrar o território durante um período de transição, no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra nesse território.

Segunda fase

Apesar das acusações mútuas de violar o acordo, Washington anunciou em meados de janeiro a passagem para a segunda fase do cessar-fogo, que conta com o apoio do Conselho de Segurança da ONU.

Ela prevê, em particular, o desarmamento do Hamas, a retirada progressiva do Exército israelense, que ainda controla mais da metade do território, e o envio de uma força internacional de estabilização.

“Muitas pessoas dizem que nunca vão se desarmar (mas) parece que vão se desarmar”, declarou Trump na quinta-feira sobre o Hamas, que ainda não havia reagido a essas declarações até sexta-feira.

Mas, em um novo incidente entre as duas partes, o Exército israelense anunciou nesta sexta-feira ter realizado ataques aéreos antes do amanhecer na região de Rafah.

Três “terroristas” morreram após sair de “infraestruturas subterrâneas”, e as forças israelenses “prosseguem as buscas no setor com o objetivo de eliminar” outros cinco identificados com eles.

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