Mundo

Irã diz que ataque contra escola foi operação calculada dos EUA

Segundo o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o bombardeio matou mais de 175 estudantes

Irã diz que ataque contra escola foi operação calculada dos EUA
Irã diz que ataque contra escola foi operação calculada dos EUA
Uma escola feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã, bombardeada por Israel e EUA em 28 de fevereiro de 2026. Foto: ALI NAJAFI / ISNA / AFP
Apoie Siga-nos no

O Irã classificou nesta sexta-feira 27 como um ataque americano “calculado” o bombardeio mortal contra uma escola iraniana no primeiro dia da guerra no Oriente Médio.

A acusação foi formulada diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que organizou uma reunião de emergência sobre a segurança das crianças no conflito, após o bombardeio da escola de Minab, no sul do Irã, em 28 de fevereiro.

Em uma mensagem em vídeo, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou ao Conselho de Direitos Humanos que o ataque não foi um erro, e sim uma operação “calculada” dos Estados Unidos, na qual, segundo ele, morreram “mais de 175 estudantes”.

“As declarações contraditórias dos Estados Unidos, que visam justificar seu crime, não podem, de forma alguma, exonerá-los de sua responsabilidade”, declarou o ministro iraniano, que qualificou o ataque de 28 de fevereiro como “um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.

Em outra mensagem, o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, denunciou o “horror profundo” provocado pelo bombardeio e exigiu “justiça”.

O bombardeio aconteceu no primeiro dia da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

Segundo o jornal New York Times, que citou funcionários do governo em Washington e fontes próximas à investigação, um míssil americano Tomahawk atingiu a escola por um erro de localização.

O alvo, de acordo com o jornal, era uma base iraniana adjacente e o erro aconteceu porque as forças americanas utilizaram coordenadas desatualizadas.

O presidente Donald Trump sugeriu em um primeiro momento que o Irã poderia ter sido responsável pelo ataque, apesar de Teerã não possuir mísseis Tomahawk.

Türk insistiu que “corresponde àqueles que efetuaram o ataque investigar de maneira rápida, imparcial, transparente”. Ele pediu a Washington que publique os resultados o mais rápido possível.

Araghchi, sem aguardar a conclusão da investigação, afirmou que, dado o nível tecnológico dos Estados Unidos e de Israel, “ninguém pode acreditar que o ataque à escola não tenha sido deliberado e intencional”.

O chanceler qualificou o bombardeio como uma “atrocidade, que não pode ser justificada nem acobertada”, e criticou as declarações contraditórias dos Estados Unidos.

A AFP não teve acesso ao local para verificar de maneira independente o balanço nem as circunstâncias dos acontecimentos.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo