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Irã apresenta resposta à proposta mais recente dos EUA sobre a guerra
Sobre a possibilidade de um novo confronto militar, porta-voz da diplomacia iraniana afirma que o país está ‘preparado para qualquer eventualidade’
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou, nesta segunda-feira 18, que o país respondeu à proposta mais recente dos Estados Unidos para acabar com a guerra, poucas horas após Donald Trump renovar as ameaças contra Teerã caso não aceite o acordo de paz.
Washington e Teerã já trocaram algumas propostas de acordo para encerrar o conflito iniciado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica em 28 de fevereiro, mas organizaram apenas uma rodada de negociações, apesar do frágil cessar-fogo.
“Como anunciamos ontem (domingo), nossas preocupações foram transmitidas à parte americana”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, em entrevista coletiva.
O porta-voz afirmou ainda que as conversações “continuam por meio do mediador paquistanês”, sem revelar mais detalhes.
Baqaei defendeu as exigências do Irã, que incluem a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior, o fim das sanções de longa data e que os Estados Unidos paguem reparações por uma guerra “ilegal e sem fundamento”.
Irã, “preparado” para um eventual confronto
Sobre a possibilidade de um novo confronto militar, Baqaei disse que o Irã está “preparado para qualquer eventualidade”.
A agência de notícias iraniana Fars informou no domingo que Washington apresentou uma lista de cinco pontos que incluía a exigência de que o Irã mantenha apenas uma instalação nuclear em funcionamento e transfira sua reserva de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos.
O governo dos Estados Unidos não aceitou desbloquear “nem sequer 25%” dos ativos congelados do Irã ou a pagar indenizações pelos danos de guerra, segundo a Fars.
Também destacou que Washington deixou claro que só cessaria as hostilidades quando Teerã participasse de negociações de paz formais.
Em uma proposta anterior, enviada na semana passada, o Irã havia solicitado o fim da guerra em todas as frentes, incluindo a campanha de Israel no Líbano, assim como o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos em vigor desde 13 de abril.
O país também pediu o fim de todas as sanções americanas e a liberação de seus ativos congelados no exterior.
Gestão do Estreito de Ormuz
A Fars destacou que a proposta iraniana enfatiza que Teerã continuará a administrar o estratégico Estreito de Ormuz, que o Irã mantém fechado na prática desde o início da guerra.
Nesta segunda-feira, o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano anunciou a criação de um novo órgão para administrar o estreito.
Em sua conta oficial na rede X, o Conselho compartilhou uma publicação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) na qual afirma que oferecerá “informações em tempo real sobre as operações” na passagem marítima.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária declarou que os cabos de fibra óptica que cruzam o estreito também poderiam estar sujeitos a um sistema de licenças.
“Após a imposição de controle sobre o Estreito de Ormuz, o Irã, reivindicando sua soberania absoluta sobre o leito e o subsolo de suas águas territoriais (…), poderia declarar que todos os cabos de fibra óptica que cruzam a hidrovia estão sujeitos a licenças”, declarou o exército ideológico da república islâmica nas redes sociais.
Mais de 3.000 mortos no Líbano
Na frente libanesa, o Ministério da Saúde indicou que os bombardeios israelenses mataram mais de 3.000 pessoas desde 2 de março, quando começou a guerra entre as forças israelenses e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
O ministério registrou 3.020 mortes e especificou que entre os mortos havia 211 pessoas com menos de 18 anos e 116 profissionais de saúde. Além disso, 9.273 pessoas ficaram feridas.
Um frágil cessar-fogo está em vigor no país desde 17 de abril, mas ambos os lados se acusam mutuamente de violá-lo.
O presidente libanês, Joseph Aoun, prometeu fazer tudo o que for necessário para acabar com o conflito.
“É meu dever e minha responsabilidade fazer o impossível (…) para parar a guerra contra o Líbano e seu povo”, declarou Aoun, segundo um comunicado de seu gabinete.
Aoun também observou que as negociações em curso com Israel, rejeitadas pelo Hezbollah, visam principalmente garantir a retirada das forças israelenses e permitir que as pessoas deslocadas retornem às suas casas.
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